quinta-feira, 26 de junho de 2008

Inflação e redução de gastos públicos

Logo pela manhã de hoje (26/06/08) assisti ao primeiro telejornal nacional e lá se comentava a volta da inflação e a necessidade de se cortar gastos públicos, no mínimo como um exemplo saudável a ser oferecido pelo Estado e, posteriormente, imitado pela iniciativa privada.
Não tenho nada contra o corte de gastos públicos, mas, clamar por corte sem especificar onde e como cortar é, no mínimo, irresponsabilidade.
Usemos nossa memória, ou o que resta dela, e relembremos os setores que sofrem com a redução do gasto público: o salário mínimo (pago predominantemente aos aposentados), todos os programas sociais, os salários dos servidores públicos de baixa hierarquia, a cultura e a educação, pra citar alguns.
Ainda não vi os ricos reclamando do corte dos generosos financiamentos do BNDES. Nem a turma do agrobusiness (sic) reclamando do corte de subsídios. Nem mesmo os usineiros reclamam do corte das linhas de crédito de suas usinas falidas.

Assim, se vamos cortar gastos públicos, vamos cortar de quem tem gordura pra queimar. É indecente, imoral, ilegítimo, é uma patifaria punir os pobres para engordar os ricos.

domingo, 22 de junho de 2008

Como se fazia um deputado

Aproximam-se as eleições. Lembro-me da peça de França Júnior, escrita no século XIX, cujo título é "Como se fazia um deputado".
Recomendo a leitura (o texto encontra-se disponível gratuitamente na "Biblioteca Vitual do Estudante Brasileiro", no site da USP).

Que seja nosso lema (sério ou cínico, vai do bom ou mau humor de cada um): "Perca-se tudo senhores, mas salve-se a moralidade pública! Deixem o cidadão livre e independente votar!"

Quem tiver ouvidos que ouça.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A lei

Poucas pessoas seriam contra a existência de algum tipo de lei. Leis são necessárias, afinal, na ausência de freios morais suficientemente fortes para nos impedir de cometer violências contra nosso próximo, algum poder externo e com capacidade coercitiva deve existir (pelo menos enquanto permanecermos como humanos).
Os problemas começam aí, logo após esta singela constatação.
Quem faz a lei e como?
Quem executa a lei e como?
O processo democrático como o conhecemos elege os melhores ou os piores? Resposta óbvia.
Os legisladores que ora nos representam, fazem leis para seu próprio extrato social ou para a maioria de esquecidos que os elegeu? Resposta óbvia.
Os executores da lei, inclusive as forças policiais, reprimem da mesma forma os delitos cometidos por gente pobre e os delitos cometidos por gente rica? Resposta óbvia.
Aqueles que apelam para sentimentos rasteiros, de falsa metafísica cívica, defensores dos valores últimos da lei e da ordem (ou GLO, para usar a sigla mágica), aplicam essa retórica na vida real daqueles que são, em última instância, os depositários do poder? Resposta tristemente óbvia.

Há muito que fazer, muito que mourejar, um imenso mar de desdém a sanear.