quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fim de ano

Aproxima-se mais um dos nossos momentos nacionais de alegre esquecimento. Ao lado do Carnaval, da Páscoa, dos feriados esticados, dos jogos da seleção brasileira (e a Copa do Mundo, de 4 em 4 anos), o fim de ano cria um clima de "deixa pra lá, eu sou feliz" que é difícil de ignorar.
Não se pode condenar ninguém, afinal, o legislativo entra em recesso, o judiciário entra em recesso, as escolas estão de férias, tudo para. Perdão, tudo, à exceção dos comerciários, que trabalham dobrado pra atender à demanda dos felizes consumidores.
Daqui a uns 3 meses começamos a funcionar e pensar de novo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Esaú e Jacó (em tempo)

Ambos podem abrir a "Padaria do Governo".

Esaú e Jacó

Quem leu o livro homônimo de Machado de Assis entenderá.
PT e PSDB são a versão moderna de Esaú e Jacó: gêmeos, porém brigam desde o útero materno.
Vaidade? Ciúme? Competição pelo mesmo amor?
Irmãos que se odeiam...

domingo, 28 de setembro de 2008

Duas coisas básicas

1) O que é obrigatório é a presença do eleitor na seção eleitoral. Ninguém é obrigado a votar no candidato A ou no candidato B. Se ninguém satisfaz nosso grau de exigência, é legítimo e permitido votar nulo, votar 99.
2) Durante a campanha eleitoral o candidato aparece em nossas casas. Depois da campanha, quem tem que aparecer é o cidadão, fiscalizando o trabalho do representante, comparecendo às reuniões na câmara de vereadores e pressionando o prefeito em prol das políticas públicas.

domingo, 14 de setembro de 2008

Surrealismo e/ou realismo fantástico

Com freqüência cada vez maior torna-se difícil escapar, em nosso país, da sensação de que vivemos num quadro de Salvador Dali ou talvez em Macondo.
1) O Presidente da República quer ser técnico da seleção de futebol (se assim não fosse, não daria tantas declarações públicas a respeito). Se não quer, deseja ao menos se fazer mais parecido com a patuléia (lembrando Paulo Francis) para, quem sabe, alavancar votos nas eleições que se aproximam.
2) O Presidente da República defende o uso do fumo em qualquer lugar (Folha de São Paulo, 15/9/2008). Que se dane o câncer de pulmão, ora bolas!
3) Questiona-se o uso de algemas porque figurões aparecem na TV com os braceletes da lei.
4) A campanha eleitoral ultrapassa o inacreditável: já desisti de contabilizar a quantidade de coronéis (bombeiros ou policiais), doutores (a turma que sofre de "doutorite": médicos, fisioterapeutas, dentistas, etc), "gente do bem", "não políticos", jovens que querem renovar, etc. Todos querem "acabar com isso que está aí. Dá nojo, honestamente.
5) As altas cortes do país insistem em deixar os grandes bandidos (os ladrões do dinheiro público, banqueiros de renome) soltos, enquanto as prisões se entopem com ladrões de galinha.

Talvez seja melhor fazer como o Coronel Aureliano Buendía: passar meus dias a fazer e derreter o mesmo peixinho de ouro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A multiplicação das palavras

Lembro-me de uma passagem do Sermão da Montanha em que Jesus diz: os pagãos multiplicam suas palavras, pensando que serão ouvidos por Deus à força de palavras.
Nessa época do ano nós, eleitores, somos tratados como divindades pelos candidatos. O problema é que eles, candidatos, julgam que se farão ouvir pela força da multiplicação das palavras.
Em certa medida há evidência empírica suficiente para comprovar tal julgamento; espero, todavia, que tanto ruído, tanta poluição cognitiva e sonora, sirva para separar o joio do trigo. Quem tem razão não precisa gritar nem massacrar nossos ouvidos com cantigas repetidas à exaustão.
Assim vou separando as pragas das hortaliças.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Foi dada a largada

Apertem os cintos, preparem a pipoca!
Foi dada a largada para o maior espetáculo do ano: as eleições.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Contradições, paradoxos, cinismo, deboche

Hoje pela manhã (21/07) assisti a um telejornal vespertino e escutei uma coisa que quase me fez parir Mr. Hyde para o mundo dos viventes. O apresentador, tentando improvisar torpemente sobre um motorista bêbado que se recusara a fazer o teste do "bafômetro", disse que seria preciso acabar com esse "negócio de uma pessoa não poder produzir prova contra si mesma" e que, desse jeito, as pessoas poderiam se recusar a retirar digitais para identificação civil.
Ouvi isso de manhã, num telejornal de uma grande empresa de comunicação, pela boca de um jornalista com muitos anos de experiência.
É aterrador. Quem seria capaz de cometer uma sentença dessas? Vejamos: a) alguém com patologias cognitivas; b) alguém com deficiências cognitivas causadas por desnutrição ou trauma na infância; c) alguém com uma agenda política muitíssimo perigosa para os pobres e comuns mortais; d) um simples idiota. Pelo bem de nós todos, espero que a alternativa vencedora seja a "d".

Numa outra linha, que dessa vez não me deu dores de parto tão malignas, mas que produziu engulhos veementes, vi que debate-se uma lei de abuso de autoridade, e isso por causa das operações da polícia federal que algemam e colocam em camburões os bandidos de terno e gravata que roubam os pobres e miseráveis.
Pois é... ladrões de galinha e batedores de carteira são presos, algemados, levam safanões, pescoções e sei lá o que mais, além de anos de impiedosa reclusão. Esses não sofrem abuso de autoridade...

Recorramos ao latinório:
o tempora, o mores
dura lex, sed lex.