sexta-feira, 30 de novembro de 2007

CPMF

Mais uma polêmica falsa, a CPMF.
Ainda não fiquei sabendo de uma conta exata a respeito do peso da CPMF no orçamento de uma família das classes B e C (na classe A o imposto passa despercebido, nas classes de D a Z o imposto não diz nada). Na ausência dessa conta, a polêmica da CPMF interessa apenas à zona cinzenta de nossas auto-proclamadas "classes produtivas" (como se os pobres não produzissem nada ou , no máximo, produzissem apenas despesas).
Só espero não ouvir mais as carpideiras de plantão, proclamando o fim do mundo econômico por conta dos centézimos percentuais da CPMF, alegando que o imposto é cumulativo, onera os custos e aumenta os preços finais.
O problema é que os preços finais que importam são os dos produtos exportados e dos efeitos que se podem produzir na Bolsa de Valores; com os preços praticados no Brasil há pouca preocupação.
Sinto falta de que se indague se os impostos financiam a incompetência, a corrupção e, lembrando Elio Gaspari, a privataria. E, honestamente, a Bolsa que se vire.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Bravo César

Medidas provisórias.
Rolo compressor da base governista (de qualquer governo pós-88).
Parlamento dócil.
Milhares de cargos sob comissão.
Super-executivo.
Sub-legislativo.
Supremo politicamente motivado.
Recibo de voto na urna eletrônica (um escândalo cuja aprovação pode ocorrer).
...
Ainda no espírito dos romanos: ab imo pectore, bravo César!

domingo, 25 de novembro de 2007

Abençoado por Deus e amaldiçoado pelos homens

Vejamos algumas coisas que desmentem nossa mitologia nacional de cordialidade e amor pela hamornia e paz:
1) "UM RELATÓRIO RESERVADO , preparado na semana passada pela Secretaria da Saúde da cidade de São Paulo com base em 11.381 exames médicos realizados em escolas públicas, mostra o maior massacre perpetrado contra crianças no Brasil. É a mais abrangente investigação de saúde escolar de que se tem notícia e ratifica estudos isolados já realizados no país.Do total de alunos examinados, 70% tiveram de ser encaminhados para algum tratamento. (...) O relatório informa que, naquela amostragem, 80% exibiam problemas dentários, que englobam desde cáries até anomalias mais complexas. " Folha de São Paulo, 25/11/2007.
2) "Se narrado como episódio da Alemanha nazista, o que ocorreu à menina paraense seria o quê, senão crime de tortura da bestialidade? (...) COM A NOTÍCIA inicial , veio a impressão de ser um caso que ultrapassou muito os atos de barbarismo policial, mas, como dizem de tantos outros, isolado. Logo ficou evidente que a novidade não estava na prisão de uma menina de 15 anos em cela com 20 homens, que a estupraram durante 26 dias, em uma delegacia de polícia. A novidade estava só na revelação pública do caso. Feita a primeira, logo apareceu a segunda, em outra cidade, com uma moça de 23 anos como vítima. E, ao fim de quatro dias, a governadora do Pará, da qual até então só se soubera de sua permanência no Rio - não em reuniões sobre o assunto, mas, naturalmente, com empresários -, de volta ao seu palácio informou ser a prisão de mulheres em celas com homens, como alimento jogado às feras, "uma prática lamentável, que, infelizmente, já acontece há algum tempo". Folha de São Paulo, 25/11/2007
Como diziam os romanos: "Ab uno disce omnis" (ao ver um, entendes como são todos).

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Utopias, precisamos delas

O comunismo faliu: ótimo, acabou-se uma ditadura e um projeto político que deu errado. Mas a ilusão de uma opção ao capitalismo selvagem faliu junto.
A globalização está aí: ótimo, mercados vão se abrindo e tecnologia vai se expandindo pelo mundo afora. Mas não se sabe o que fazer com a diversidade cultural que, sem ter espaço para se manifestar, vai para a guerra.
O capitalismo esta aí: ótimo, todos podem ter acesso à propriedade, desde que trabalhem e tenham acesso a boas escolas e bons postos de trabalho. Mas nos perdemos num mundo cujo deus é a propriedade privada.
Os EUA lideram o mundo: ótimo, liberdade e democracia nunca são demais (seguindo as regras do jogo, claro). Mas todo monopólio ruim, inclusive o monopólio da virtude.

Socorro... preciso de uma utopia.

Errata

Prezados,
Recebi uma mensagem que pedia uma correção sobre minha última postagem. Reproduzo abaixo, agradecendo a gentileza do Sr. Claudio Weber Abramo.
Conto com a leitura e a vigilância de todos.


"Prezado senhor:Gostaria de retificar a informação, presente em seu blog, de que o estudo sobre os custos do legislativo brasileiro teriam sido compilados pela Transparência Internacional. Essa organização nada teve a ver com o estudo, que é de responsabilidade da Transparência Brasil. Esclarerço, a propósito, que a Transparência Brasil não é ligada à Transparência Internacional."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Para pensar ao travesseiro

Reproduzo abaixo dados da "Transparência Internacional". Não analiso nada, só deixo os dados para pensarmos ao travesseiro.

"A Transparência Brasil comparou o orçamento do Congresso Nacional
brasileiro com os da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha,
Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, México e Portugal.
Com um orçamento de R$ 6.068.072.181,00 para 2007, o Congresso
brasileiro (compreendendo Câmara dos Deputados e Senado Federal)
gasta R$ 11.545,04 por minuto. Só é superado pelo dos Estados
Unidos, sendo quase o triplo do orçamento da Assembléia Nacional
francesa. O mandato de cada um dos 513 deputados federais custa R$
6,6 milhões por ano. No Senado, o mandato de cada um de seus 81
integrantes custa quase cinco vezes mais, R$ 33,1 milhões por ano.
Da comparação entre os países resulta que, levando-se em conta os
seus diferentes níveis de riqueza, tanto em termos da renda per
capita quanto do nível do salário mínimo o Brasil é, entre os
estudados, aquele em que o Congresso mais onera o cidadão."


Mais dados e gráficos em: http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Tropa de Elite: nossas carências e nossos recalques

Tenho esperado passar o furor causado pelo filme "Tropa de Elite", mas como o furor não passa, falo de uma vez.
O filme é um bom filme e o Cap. Nascimento é um bom personagem interpretado por um bom ator, só isso. Nada mais.
O filme não é um retrato da realidade (como adoramos esses retratos, ó classe média) nem representa uma revolução na maneira de ver a polícia, os traficantes, os pobres e os mauricinhos da faculdade particular. O filme é só um filme.
Até hoje vejo na TV reportagens sobre tropas de elite das polícias militares, debates furiosos protagonizados por pessoas furiosas em defesa disso ou daquilo (ou fascistóide ou imbecilóide), especialistas em drogas, em pobreza, em tudo. Porém, tudo ridículo, de um ridículo que me dá vergonha.
Como nossa cultura é escassa e construída sobre novelas, nossos escritores são rasos (a maioria) ou esquecidos (como o genial Machado de Assis) e nosso cinema se resume às mulheres peladas de ocasião, um bom filme de ação causa efeitos que vão muito além do que um filme pretende: entretenimento.

sábado, 17 de novembro de 2007

O guia da ingenuidade - Parte 2

1) Acredite que eleições resolvem tudo.
2) Acredite que o povo é inocente e puro, vítima indefesa da corrupção.
3) Acredite que a classe média é a reserva moral do país.
4) Acredite que nosso digno empresariado está interessado no progresso do país.
5) Acredite que o protocolo de Kyoto prejudica a economia norte-americana.
6) Acredite que o Cap. Nascimento é a solução do país.
7) Acredite que a Copa do Mundo vai mudar o Brasil.
8) Acredite que o orçamento da Copa do Mundo será cumprido e não haverá corrupção.
9) Acredite que tu és o único inocente.
10) Eu não resisto: acredite que a Venezuela é uma democracia e é um absurdo o Coronel-caudilho ser repreendido por um monarca.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Os hermanos da Calha Norte

Vez por outra leio nos jornais, vindo de Brasília, uma defesa da Venezuela, defesa que afirma peremptoriamente que não se pode criticar os hermanos do norte por sua democracia.
Uma das melhores definições de democracia que já li (Giovanni Sartori, A Teoria da Democracia Revisitada) diz que "ninguém pode dar a si mesmo o direito de governar". Em outras palavras, se alguém governa, governa por livre delegação de outros.
Ora, se um Congresso é composto por 100% dos partidários do Presidente, se a oposição é reprimida, se a liberdade de expressão é vista com desconfiança, se as instituições são ridicularizadas, que me perdoem os companheiros de Brasília: isso não é democracia, é ditadura maquiada. Talvez, isso eu admito, a Venezuela esteja vivendo uma reedição do PRI mexicano, desta feita personalizado num coronel-caudilho sentado em milhões de barris de petróleo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A frase do ano - Parte 2

Ainda nem tinha sentido o devido prazer com a escolha de minha frase do ano, sou surpreendido por outra pérola, esta com ares de bravata e (des)temperada pela retórica tupiniquim: "o Brasil vai entrar para a OPEP".
Sinceramente, não sei se isso é promessa, esperança ou ameaça.
Promessa de dias melhores, esperança de podermos influir nos destinos do mundo (sonho antigo) ou ameaça de participarmos do clube de chantagistas do petróleo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A frase do ano

Houve quem muito protestasse contra a singela frase de uma de nossas ministras, aquela já clássica "relaxa e goza". Eu, que frequento rodoviária, ando de ônibus e entorto as costas em nossas estradas, adorei a frase e a escolhi como a melhor do ano. Representa bem o escárnio que merece ser dado ao que se convencionou chamar de crise aérea: é assim mesmo, problema de classe média vira crise nacional e vai para os jornais, problema de pobre fica pro orçamento das próximas eleições.
Isto posto, loas ao "relaxa e goza".
Em tempo: favor não confundir as coisas. Desastre aéreo é uma coisa, "crise aérea" é outra completamente diferente. Deixemos que os mortos descansem em paz.

domingo, 11 de novembro de 2007

O guia da ingenuidade - Parte 1

1) Acredite que o combate ao terrorismo é uma guerra.
2) Acredite que todo insurgente é um terrorista.
3) Acredite que luta-se pela democracia e pela liberdade no Iraque e no Afeganistão.
4) Acredite que nós somos o Bem e o oriente é o Mal.
5) Acredite que a tortura é justificável em casos de extrema urgência.
6) Acredite que toda urgência é urgente.
7) Acredite que os ataques cirúrgicos são cirúrgicos.
8) Acredite na bondade, racionalidade e civilidade inerentes ao ocidente cristão.
9) Acredite que a guerra é uma loucura e uma irracionalidade.
10) Acredite que a irracionalidade é irracional.

Boas vindas

Bem vindos ao Política, História, Sociedade, um espaço para discussão da contemporaneidade.