Só pra não deixar passar: vi na TV por esses dias um cartaz na porta de um hospital que estava em dificuldades para atender os milhares de brasileiros (penso que do nordeste, Alagoas, talvez) acossados pela dengue. O cartaz dizia: "atendimento suspenso temporar-iamente". Desse jeito mesmo, com a exótica separação de sílabas ...
A dengue denuncia tudo...
Onde estão as soluções?
Os idiotas clamam.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
terça-feira, 22 de abril de 2008
Mar de lama: enésima parte
Nossos congressistas devem estar infelizes, afinal, aquela que prometia ser a nova "CPI do fim do mundo" não conseguiu, pelo menos por enquanto, o impacto que pretendia. No mínimo dois motivos podem ser indicados para entender esse baixo impacto da CPI: a) o próprio vazio de seu objeto; b) estamos esmagados pela memória trucidada da menina Isabela e pelo espetáculo de amadorismo e barbárie de nossos meios de comunicação.
Letra a: o objeto da CPI é vazio, nem tanto pela inutilidade de se gastar tempo e recursos na pesquisa de dados que, se bem que imorais, têm pouco ou nenhum impacto na vida real das pessoas comuns, mas principalmente porque, se bem pesquisados, os dados vão levantar imoralidades e descalabros avoengos. Ninguém quer isso. A CPI vai se comportar como um garoto na hora do recreio: vai correr e brincar, mas não muito, pois é muito desconfortável entrar em sala e assistir aula suado.
Letra b: o culpado pelo assassinato será descoberto, cedo ou tarde, logo, não estou tenso a esse respeito. O que me preocupa muitíssimo é a memória de Isabella, que precisa ser respeitada. Já me é insuportável ver e rever as fotos da menina, não aguento mais os julgamentos prévios, cheios de preconceito e inflamados pela fúria da ralé. O que é pior, em pouco tempo surgirá outro escândalo a ser explorado e isso deixará o crime contra Isabella, e sua memória, estirados no limbo, lívidos e sugados, trastes usados à exaustão e descartados por inúteis. Descanse em paz Isabella.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.
Letra a: o objeto da CPI é vazio, nem tanto pela inutilidade de se gastar tempo e recursos na pesquisa de dados que, se bem que imorais, têm pouco ou nenhum impacto na vida real das pessoas comuns, mas principalmente porque, se bem pesquisados, os dados vão levantar imoralidades e descalabros avoengos. Ninguém quer isso. A CPI vai se comportar como um garoto na hora do recreio: vai correr e brincar, mas não muito, pois é muito desconfortável entrar em sala e assistir aula suado.
Letra b: o culpado pelo assassinato será descoberto, cedo ou tarde, logo, não estou tenso a esse respeito. O que me preocupa muitíssimo é a memória de Isabella, que precisa ser respeitada. Já me é insuportável ver e rever as fotos da menina, não aguento mais os julgamentos prévios, cheios de preconceito e inflamados pela fúria da ralé. O que é pior, em pouco tempo surgirá outro escândalo a ser explorado e isso deixará o crime contra Isabella, e sua memória, estirados no limbo, lívidos e sugados, trastes usados à exaustão e descartados por inúteis. Descanse em paz Isabella.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Barbárie: mar de lama
Nem só de escândalos políticos se alimenta nosso bem brasileiro mar de lama.
A menina Isabela, morta recentemente, é esquartejada e triturada todos os dias nas TV's e jornais, em noticiários paupérrimos, imbecis, plenos de julgamentos de valor sem provas, enfim, tudo típico de um tipo de imprensa que cada vez mais se dissemina e se defende com o discurso do "mundo real".
Vamos a algumas coisas que se tornam óbvias: a) os acusados, culpados ou não, já foram condenados pelo noticiário popularóide-imbecilóide-estupidificante; b) o julgamento, quando houver, não será imparcial; c) nossos jornalistas precisam estudar mais; d) a audiência, verbas de patrocínio e de anunciantes, nada disso vale a brutalização de uma morte já estúpida; e) o único sentido de se exibir ad nausea a foto da criança é criar emoções primitivas num público que se alimenta disso: quero crer que podemos ser melhores do que isso; f) deixemos a criança descansar em paz nos braços de Deus.
O mar de lama está de ressaca.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.
A menina Isabela, morta recentemente, é esquartejada e triturada todos os dias nas TV's e jornais, em noticiários paupérrimos, imbecis, plenos de julgamentos de valor sem provas, enfim, tudo típico de um tipo de imprensa que cada vez mais se dissemina e se defende com o discurso do "mundo real".
Vamos a algumas coisas que se tornam óbvias: a) os acusados, culpados ou não, já foram condenados pelo noticiário popularóide-imbecilóide-estupidificante; b) o julgamento, quando houver, não será imparcial; c) nossos jornalistas precisam estudar mais; d) a audiência, verbas de patrocínio e de anunciantes, nada disso vale a brutalização de uma morte já estúpida; e) o único sentido de se exibir ad nausea a foto da criança é criar emoções primitivas num público que se alimenta disso: quero crer que podemos ser melhores do que isso; f) deixemos a criança descansar em paz nos braços de Deus.
O mar de lama está de ressaca.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Malhar em ferro frio: a barbárie
Honestamente, não me interessa de quem é a culpa pela epidemia de dengue. Nem sei se alguém tem culpa.
O que me interessa, todavia, é o festival de incompetência, irresponsabilidade e cinismo que se verifica sobre as desgraças alheias. Pessoas morrem, estão morrendo e o debate político se prende à imputação de culpa sobre os governantes de plantão. Se estamos às voltas com uma doença do século XIX, que se chame Osvaldo Cruz, quem sabe ele resolve.
A turma que está aí só tem feito piorar as coisas, e isso de uns 15 anos pra cá.
Enquanto isso, assistimos à brutalização da miséria alheia pelos meios de comunicação. Penso quanto mais será necessário para que nos intoxiquemos com a banalização e comercialização da morte.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.
O que me interessa, todavia, é o festival de incompetência, irresponsabilidade e cinismo que se verifica sobre as desgraças alheias. Pessoas morrem, estão morrendo e o debate político se prende à imputação de culpa sobre os governantes de plantão. Se estamos às voltas com uma doença do século XIX, que se chame Osvaldo Cruz, quem sabe ele resolve.
A turma que está aí só tem feito piorar as coisas, e isso de uns 15 anos pra cá.
Enquanto isso, assistimos à brutalização da miséria alheia pelos meios de comunicação. Penso quanto mais será necessário para que nos intoxiquemos com a banalização e comercialização da morte.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.
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