Segundo divulgado pelos jornais, quase 200 mortos em acidentes de trânsito no feriado de Natal (com média de 35.000 mortes por ano nas estradas). Vejamos os números do feriado de Ano Novo. E ainda querem me convencer que existe um tal de "caos aéreo" que ameaça o país...
Motoristas bêbados, pedestres que atravessam rodovias a pé ou de bicicleta, caminhoneiros ensandecidos, autoridade policial inexistente, ônibus superlotados, estradas que dão razão ao que teria dito Charles de Gaulle. Isso é ameaça. Os aeroportos vão bem.
...
Em Itaperuna o sol senegalês impede, por enquanto, as tradicionais enchentes de verão. Vamos ver por quanto tempo ainda. Quem sabe, aproveitando o tempo seco e saariano, nosso velho conhecido, alguém de boa vontade inicia obras de reestruturação da rede subterrânea de captação de água.
domingo, 30 de dezembro de 2007
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Alguns apontamentos
1) A coisa deve estar tão ruim no Iraque que os americanos não estão ensinando beisebol aos iraquianos, mas futebol. Tudo bem que beisebol é um esporte chatíssimo, mas futebol e EUA não combinam (eles nem sabiam que a Copa de 1994 estava sendo disputada lá).
2) Fim de ano, 8 senadores (de 81) presentes na última sessão do ano, segundo a Folha de S. Paulo de 25/12. Tudo bem, previsível.
3) Ainda segundo a Folha, 120 mil presos (1/3 do total) aguardam julgamento ou recurso. Infelizmente, também previsível.
4) Embriaguez de Papai Noel, gente vestida como o bom velhinho debaixo de 40ºC, ninguém lembrando do verdadeiro aniversariante. Outra vez: previsível.
5) Há brasileiros voltando dos EUA reclamando da falta de oportunidades. Enfim uma novidade.
6) Muitos brasileiros em Londres (desconfio que em outros países) trabalham com faxina. Provavelmente esses mesmos brasileiros jamais fariam esse serviço por aqui: considerariam-no indigno. Limpar vaso sanitário na Europa é trabalhar, aqui é ser humilhado.
...
Como diz a propaganda: priceless.
2) Fim de ano, 8 senadores (de 81) presentes na última sessão do ano, segundo a Folha de S. Paulo de 25/12. Tudo bem, previsível.
3) Ainda segundo a Folha, 120 mil presos (1/3 do total) aguardam julgamento ou recurso. Infelizmente, também previsível.
4) Embriaguez de Papai Noel, gente vestida como o bom velhinho debaixo de 40ºC, ninguém lembrando do verdadeiro aniversariante. Outra vez: previsível.
5) Há brasileiros voltando dos EUA reclamando da falta de oportunidades. Enfim uma novidade.
6) Muitos brasileiros em Londres (desconfio que em outros países) trabalham com faxina. Provavelmente esses mesmos brasileiros jamais fariam esse serviço por aqui: considerariam-no indigno. Limpar vaso sanitário na Europa é trabalhar, aqui é ser humilhado.
...
Como diz a propaganda: priceless.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Rumo a 2008
Começamos a contagem regressiva rumo a 2008. Natal chegando, Ano Novo, férias de janeiro, carnaval, semana santa e Páscoa: aí começamos 2008.
Enquanto isso, passamos pelas vicissitudes do interregno: enchentes, incêndios em favelas, autoridades de férias (exceto a polícia), acidentes nas estradas, seca no Nordeste, mortes por balas perdidas (ou achadas), show do Roberto Carlos (irc), festa de fogos de artifício (irc), muita nudez na praia (afinal, a mulher brasileira é a mais sensual do mundo), overdose de Papai Noel, previsões infalíveis, crianças abandonadas no lixo, campanha do Natal sem fome, etc e etc.
Enfim, o mesmo de todo ano.
Quero novidade.
Enquanto isso, passamos pelas vicissitudes do interregno: enchentes, incêndios em favelas, autoridades de férias (exceto a polícia), acidentes nas estradas, seca no Nordeste, mortes por balas perdidas (ou achadas), show do Roberto Carlos (irc), festa de fogos de artifício (irc), muita nudez na praia (afinal, a mulher brasileira é a mais sensual do mundo), overdose de Papai Noel, previsões infalíveis, crianças abandonadas no lixo, campanha do Natal sem fome, etc e etc.
Enfim, o mesmo de todo ano.
Quero novidade.
sábado, 15 de dezembro de 2007
CPMF, de novo...
Após a derrota do Executivo no Senado, já se fala em negociações para a criação de uma nova CPMF, talvez a mesma coisa com um rótulo diferente.
Já se sabia que, para o contribuinte, o custo da CPMF era irrisório (pouco mais de R$ 1,00 por dia) e que o problema era tapar os buracos do orçamento. Todos sabiam disso, governo e oposição. Assim sendo, porque derrubar a CPMF?
Até onde vejo, foi um caso apenas de dar um susto no Executivo, mostrar que o Senado, se não está submisso, pelo menos cobra mais caro que a Câmara por suas aprovações.
Ninguém pode se dar ao luxo de abrir mão de R$ 40 bilhões por ano...
Em dois dias passamos da "preocupação com o povo e com as classes produtivas" para a realpolitik mais descarada.
Já se sabia que, para o contribuinte, o custo da CPMF era irrisório (pouco mais de R$ 1,00 por dia) e que o problema era tapar os buracos do orçamento. Todos sabiam disso, governo e oposição. Assim sendo, porque derrubar a CPMF?
Até onde vejo, foi um caso apenas de dar um susto no Executivo, mostrar que o Senado, se não está submisso, pelo menos cobra mais caro que a Câmara por suas aprovações.
Ninguém pode se dar ao luxo de abrir mão de R$ 40 bilhões por ano...
Em dois dias passamos da "preocupação com o povo e com as classes produtivas" para a realpolitik mais descarada.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Em tempo
Esqueci do ponto máximo: quando o pronome de tratamento tantas vezes usado ("Vossa Excelência") perde seu ar vetusto e é substituído por gritos, palavrões, insultos, pulsos sacudidos no ar e promessas de pugilato.
Espero pelas vias de fato.
Espero pelas vias de fato.
CPI's novamente
Já disse que sou contra CPI's. Ainda não sei porque, apesar de ser contra, assisto a todas as suas sessões. Algumas possíveis razões:
1) Posso ver os ricos sangrando em público. Sei que eles vão rir por último, mas nas sessões dá pra ter um gostinho de equalização do sofrimento.
2) São inegavelmente divertidas, hilárias, um entretenimento ótimo, apesar de inadequado para menores de 18 anos. Deve-se assistir com um balde de pipocas no colo.
3) São inegavelmente trágicas e tensas, um drama ótimo, apesar de inadequado para menores de 18 anos. Deve-se assistir com um balde de pipocas no colo e uma caixa de lenços de papel ao lado.
4) Ao assistir sinto-me numa oficina de atores iniciantes. Há muita emoção e disposição, apesar de pouquíssimo talento interpretativo. Emociona-me o esforço, o suor e as singelas dificuldades cognitivas.
5) Adoro quando um parlamentar clama ao interrogado que "colabore" com a comissão. Há dureza nos olhos do interrogado e singeleza nos olhos do parlamentar.
6) Quando há discrepância entre depoimentos ou entre depoimentos e documentos, pergunta-se com ar severo: "quem mente, Vossa Senhoria ou os documentos"? Torço honestamente para que se diga: "Eu minto!"
Enfim... posso enumerar outros tantos motivos, mas fico por aqui.
1) Posso ver os ricos sangrando em público. Sei que eles vão rir por último, mas nas sessões dá pra ter um gostinho de equalização do sofrimento.
2) São inegavelmente divertidas, hilárias, um entretenimento ótimo, apesar de inadequado para menores de 18 anos. Deve-se assistir com um balde de pipocas no colo.
3) São inegavelmente trágicas e tensas, um drama ótimo, apesar de inadequado para menores de 18 anos. Deve-se assistir com um balde de pipocas no colo e uma caixa de lenços de papel ao lado.
4) Ao assistir sinto-me numa oficina de atores iniciantes. Há muita emoção e disposição, apesar de pouquíssimo talento interpretativo. Emociona-me o esforço, o suor e as singelas dificuldades cognitivas.
5) Adoro quando um parlamentar clama ao interrogado que "colabore" com a comissão. Há dureza nos olhos do interrogado e singeleza nos olhos do parlamentar.
6) Quando há discrepância entre depoimentos ou entre depoimentos e documentos, pergunta-se com ar severo: "quem mente, Vossa Senhoria ou os documentos"? Torço honestamente para que se diga: "Eu minto!"
Enfim... posso enumerar outros tantos motivos, mas fico por aqui.
domingo, 9 de dezembro de 2007
CPMF (2)
Agora ser contra ou a favor da CPMF significa ser contra ou a favor dos pobres...
Já estava quase acreditando que a CPMF servia pra tapar o(s) buraco(s) orçamentários do(s) governo(s) brasileiro(s).
Ainda bem que fui alertado a tempo...
Já estava quase acreditando que a CPMF servia pra tapar o(s) buraco(s) orçamentários do(s) governo(s) brasileiro(s).
Ainda bem que fui alertado a tempo...
sábado, 8 de dezembro de 2007
Os culpados
Lembro-me perfeitamente que, quando do assassinato de Tim Lopes, discutiu-se seriamente se a culpa por sua morte não teria sido dele mesmo, a vítima, Tim Lopes. O que estaria ele fazendo num local daqueles, sem o conhecimento dos chefes da área? Tamanha imprudência seria sujeita à punição da morte.
Também vemos muitas pessoas falarem que a culpa do estupro seria da mulher (por estar usando roupas provocantes ou andando sozinha à noite ou em lugares ermos). Igualmente, as prostitutas merecem estar onde estão porque escolheram a profissão gostam dela, são devassas.
Vejo, em algumas declarações, raciocínio similar ao se tratar da prisão de mulheres em celas habitadas por homens. A culpa seria delas, chamadas pelos locais de "cartucheiras".
...
É muito assustador reconhecer o avanço do império da burrice e da negação da humanidade.
Também vemos muitas pessoas falarem que a culpa do estupro seria da mulher (por estar usando roupas provocantes ou andando sozinha à noite ou em lugares ermos). Igualmente, as prostitutas merecem estar onde estão porque escolheram a profissão gostam dela, são devassas.
Vejo, em algumas declarações, raciocínio similar ao se tratar da prisão de mulheres em celas habitadas por homens. A culpa seria delas, chamadas pelos locais de "cartucheiras".
...
É muito assustador reconhecer o avanço do império da burrice e da negação da humanidade.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Quando o Congresso investiga e julga
Sou contra CPI's: não investigam nada com frieza e método; servem unicamente como palanque, palco e picadeiro; promovem o escândalo desnecessário; seus membros acusam sem provas; a rigor, não produzem provas; como ponto a favor apenas posso apontar o hilário das sessões: são muito divertidas, as falas são exóticas e descabeladas, fala-se de Deus, do diabo, da moral e dos bons costumes com uma convicção tão grande que quase acreditamos na sinceridade do discurso; há lágrimas e risos, um dramalhão inigualável.
Os momentos em que se vota a cassação de um mandato igualmente são banais. Se o acusado está em desgraça no Congresso, será condenado, mesmo que inocente. Se o acusado for poderoso ou estiver de bem com o Congresso, será absolvido, mesmo que réu confesso. Pergunto-me: qual a finalidade de se reservar um dia no Plenário para votar algo já conhecido de véspera? É mais fácil fazer tudo por ato administrativo.
Em suma: julgamentos corporativos são algo próximo da farsa. Médicos raramente são condenados no CRM ou engenheiros no CREA. Congressistas raramente são condenados por seus pares. Quem julga não pode ter relações, quaisquer que sejam, com aquele que está sendo julgado; o fórum de julgamento deve ser heterogêneo à casa do julgado.
Os momentos em que se vota a cassação de um mandato igualmente são banais. Se o acusado está em desgraça no Congresso, será condenado, mesmo que inocente. Se o acusado for poderoso ou estiver de bem com o Congresso, será absolvido, mesmo que réu confesso. Pergunto-me: qual a finalidade de se reservar um dia no Plenário para votar algo já conhecido de véspera? É mais fácil fazer tudo por ato administrativo.
Em suma: julgamentos corporativos são algo próximo da farsa. Médicos raramente são condenados no CRM ou engenheiros no CREA. Congressistas raramente são condenados por seus pares. Quem julga não pode ter relações, quaisquer que sejam, com aquele que está sendo julgado; o fórum de julgamento deve ser heterogêneo à casa do julgado.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
TV Digital (2)
Outro motivo de comemoração pela extraordinária mudança em nossas vidas promovida pela TV Digital é o fato de termos eleições ano que vem.
Poderemos assistir, nesses tempos em que a política foi engolida pela publicidade, às sensacionais campanhas e às promessas exóticas, tudo em alta definição, pela TV doméstica ou pelo celular (outra invenção importantíssima).
Quanta felicidade, não acham?
Poderemos assistir, nesses tempos em que a política foi engolida pela publicidade, às sensacionais campanhas e às promessas exóticas, tudo em alta definição, pela TV doméstica ou pelo celular (outra invenção importantíssima).
Quanta felicidade, não acham?
domingo, 2 de dezembro de 2007
TV Digital
Assisti o anúncio nacional da inauguração da TV Digital no Brasil.
Minhas limitações cognitivas impedem que eu compreenda porque a TV Digital é tão importante assim...
Não é apenas mais um avanço tecnológico, entre tantos outros? Ou sua importância está no fato de que estará disponível para a TV aberta e, então, veremos nossa excelente programação televisiva em alta definição?
Se assim for, mal posso esperar pelas novelas e programas da tarde, aqueles que prestam serviços importantíssimos à comunidade.
Minhas limitações cognitivas impedem que eu compreenda porque a TV Digital é tão importante assim...
Não é apenas mais um avanço tecnológico, entre tantos outros? Ou sua importância está no fato de que estará disponível para a TV aberta e, então, veremos nossa excelente programação televisiva em alta definição?
Se assim for, mal posso esperar pelas novelas e programas da tarde, aqueles que prestam serviços importantíssimos à comunidade.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
CPMF
Mais uma polêmica falsa, a CPMF.
Ainda não fiquei sabendo de uma conta exata a respeito do peso da CPMF no orçamento de uma família das classes B e C (na classe A o imposto passa despercebido, nas classes de D a Z o imposto não diz nada). Na ausência dessa conta, a polêmica da CPMF interessa apenas à zona cinzenta de nossas auto-proclamadas "classes produtivas" (como se os pobres não produzissem nada ou , no máximo, produzissem apenas despesas).
Só espero não ouvir mais as carpideiras de plantão, proclamando o fim do mundo econômico por conta dos centézimos percentuais da CPMF, alegando que o imposto é cumulativo, onera os custos e aumenta os preços finais.
O problema é que os preços finais que importam são os dos produtos exportados e dos efeitos que se podem produzir na Bolsa de Valores; com os preços praticados no Brasil há pouca preocupação.
Sinto falta de que se indague se os impostos financiam a incompetência, a corrupção e, lembrando Elio Gaspari, a privataria. E, honestamente, a Bolsa que se vire.
Ainda não fiquei sabendo de uma conta exata a respeito do peso da CPMF no orçamento de uma família das classes B e C (na classe A o imposto passa despercebido, nas classes de D a Z o imposto não diz nada). Na ausência dessa conta, a polêmica da CPMF interessa apenas à zona cinzenta de nossas auto-proclamadas "classes produtivas" (como se os pobres não produzissem nada ou , no máximo, produzissem apenas despesas).
Só espero não ouvir mais as carpideiras de plantão, proclamando o fim do mundo econômico por conta dos centézimos percentuais da CPMF, alegando que o imposto é cumulativo, onera os custos e aumenta os preços finais.
O problema é que os preços finais que importam são os dos produtos exportados e dos efeitos que se podem produzir na Bolsa de Valores; com os preços praticados no Brasil há pouca preocupação.
Sinto falta de que se indague se os impostos financiam a incompetência, a corrupção e, lembrando Elio Gaspari, a privataria. E, honestamente, a Bolsa que se vire.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Bravo César
Medidas provisórias.
Rolo compressor da base governista (de qualquer governo pós-88).
Parlamento dócil.
Milhares de cargos sob comissão.
Super-executivo.
Sub-legislativo.
Supremo politicamente motivado.
Recibo de voto na urna eletrônica (um escândalo cuja aprovação pode ocorrer).
...
Ainda no espírito dos romanos: ab imo pectore, bravo César!
Rolo compressor da base governista (de qualquer governo pós-88).
Parlamento dócil.
Milhares de cargos sob comissão.
Super-executivo.
Sub-legislativo.
Supremo politicamente motivado.
Recibo de voto na urna eletrônica (um escândalo cuja aprovação pode ocorrer).
...
Ainda no espírito dos romanos: ab imo pectore, bravo César!
domingo, 25 de novembro de 2007
Abençoado por Deus e amaldiçoado pelos homens
Vejamos algumas coisas que desmentem nossa mitologia nacional de cordialidade e amor pela hamornia e paz:
1) "UM RELATÓRIO RESERVADO , preparado na semana passada pela Secretaria da Saúde da cidade de São Paulo com base em 11.381 exames médicos realizados em escolas públicas, mostra o maior massacre perpetrado contra crianças no Brasil. É a mais abrangente investigação de saúde escolar de que se tem notícia e ratifica estudos isolados já realizados no país.Do total de alunos examinados, 70% tiveram de ser encaminhados para algum tratamento. (...) O relatório informa que, naquela amostragem, 80% exibiam problemas dentários, que englobam desde cáries até anomalias mais complexas. " Folha de São Paulo, 25/11/2007.
2) "Se narrado como episódio da Alemanha nazista, o que ocorreu à menina paraense seria o quê, senão crime de tortura da bestialidade? (...) COM A NOTÍCIA inicial , veio a impressão de ser um caso que ultrapassou muito os atos de barbarismo policial, mas, como dizem de tantos outros, isolado. Logo ficou evidente que a novidade não estava na prisão de uma menina de 15 anos em cela com 20 homens, que a estupraram durante 26 dias, em uma delegacia de polícia. A novidade estava só na revelação pública do caso. Feita a primeira, logo apareceu a segunda, em outra cidade, com uma moça de 23 anos como vítima. E, ao fim de quatro dias, a governadora do Pará, da qual até então só se soubera de sua permanência no Rio - não em reuniões sobre o assunto, mas, naturalmente, com empresários -, de volta ao seu palácio informou ser a prisão de mulheres em celas com homens, como alimento jogado às feras, "uma prática lamentável, que, infelizmente, já acontece há algum tempo". Folha de São Paulo, 25/11/2007
Como diziam os romanos: "Ab uno disce omnis" (ao ver um, entendes como são todos).
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Utopias, precisamos delas
O comunismo faliu: ótimo, acabou-se uma ditadura e um projeto político que deu errado. Mas a ilusão de uma opção ao capitalismo selvagem faliu junto.
A globalização está aí: ótimo, mercados vão se abrindo e tecnologia vai se expandindo pelo mundo afora. Mas não se sabe o que fazer com a diversidade cultural que, sem ter espaço para se manifestar, vai para a guerra.
O capitalismo esta aí: ótimo, todos podem ter acesso à propriedade, desde que trabalhem e tenham acesso a boas escolas e bons postos de trabalho. Mas nos perdemos num mundo cujo deus é a propriedade privada.
Os EUA lideram o mundo: ótimo, liberdade e democracia nunca são demais (seguindo as regras do jogo, claro). Mas todo monopólio ruim, inclusive o monopólio da virtude.
Socorro... preciso de uma utopia.
A globalização está aí: ótimo, mercados vão se abrindo e tecnologia vai se expandindo pelo mundo afora. Mas não se sabe o que fazer com a diversidade cultural que, sem ter espaço para se manifestar, vai para a guerra.
O capitalismo esta aí: ótimo, todos podem ter acesso à propriedade, desde que trabalhem e tenham acesso a boas escolas e bons postos de trabalho. Mas nos perdemos num mundo cujo deus é a propriedade privada.
Os EUA lideram o mundo: ótimo, liberdade e democracia nunca são demais (seguindo as regras do jogo, claro). Mas todo monopólio ruim, inclusive o monopólio da virtude.
Socorro... preciso de uma utopia.
Errata
Prezados,
Recebi uma mensagem que pedia uma correção sobre minha última postagem. Reproduzo abaixo, agradecendo a gentileza do Sr. Claudio Weber Abramo.
Conto com a leitura e a vigilância de todos.
"Prezado senhor:Gostaria de retificar a informação, presente em seu blog, de que o estudo sobre os custos do legislativo brasileiro teriam sido compilados pela Transparência Internacional. Essa organização nada teve a ver com o estudo, que é de responsabilidade da Transparência Brasil. Esclarerço, a propósito, que a Transparência Brasil não é ligada à Transparência Internacional."
Recebi uma mensagem que pedia uma correção sobre minha última postagem. Reproduzo abaixo, agradecendo a gentileza do Sr. Claudio Weber Abramo.
Conto com a leitura e a vigilância de todos.
"Prezado senhor:Gostaria de retificar a informação, presente em seu blog, de que o estudo sobre os custos do legislativo brasileiro teriam sido compilados pela Transparência Internacional. Essa organização nada teve a ver com o estudo, que é de responsabilidade da Transparência Brasil. Esclarerço, a propósito, que a Transparência Brasil não é ligada à Transparência Internacional."
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Para pensar ao travesseiro
Reproduzo abaixo dados da "Transparência Internacional". Não analiso nada, só deixo os dados para pensarmos ao travesseiro.
"A Transparência Brasil comparou o orçamento do Congresso Nacional
brasileiro com os da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha,
Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, México e Portugal.
Com um orçamento de R$ 6.068.072.181,00 para 2007, o Congresso
brasileiro (compreendendo Câmara dos Deputados e Senado Federal)
gasta R$ 11.545,04 por minuto. Só é superado pelo dos Estados
Unidos, sendo quase o triplo do orçamento da Assembléia Nacional
francesa. O mandato de cada um dos 513 deputados federais custa R$
6,6 milhões por ano. No Senado, o mandato de cada um de seus 81
integrantes custa quase cinco vezes mais, R$ 33,1 milhões por ano.
Da comparação entre os países resulta que, levando-se em conta os
seus diferentes níveis de riqueza, tanto em termos da renda per
capita quanto do nível do salário mínimo o Brasil é, entre os
estudados, aquele em que o Congresso mais onera o cidadão."
Mais dados e gráficos em: http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf
"A Transparência Brasil comparou o orçamento do Congresso Nacional
brasileiro com os da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha,
Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, México e Portugal.
Com um orçamento de R$ 6.068.072.181,00 para 2007, o Congresso
brasileiro (compreendendo Câmara dos Deputados e Senado Federal)
gasta R$ 11.545,04 por minuto. Só é superado pelo dos Estados
Unidos, sendo quase o triplo do orçamento da Assembléia Nacional
francesa. O mandato de cada um dos 513 deputados federais custa R$
6,6 milhões por ano. No Senado, o mandato de cada um de seus 81
integrantes custa quase cinco vezes mais, R$ 33,1 milhões por ano.
Da comparação entre os países resulta que, levando-se em conta os
seus diferentes níveis de riqueza, tanto em termos da renda per
capita quanto do nível do salário mínimo o Brasil é, entre os
estudados, aquele em que o Congresso mais onera o cidadão."
Mais dados e gráficos em: http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Tropa de Elite: nossas carências e nossos recalques
Tenho esperado passar o furor causado pelo filme "Tropa de Elite", mas como o furor não passa, falo de uma vez.
O filme é um bom filme e o Cap. Nascimento é um bom personagem interpretado por um bom ator, só isso. Nada mais.
O filme não é um retrato da realidade (como adoramos esses retratos, ó classe média) nem representa uma revolução na maneira de ver a polícia, os traficantes, os pobres e os mauricinhos da faculdade particular. O filme é só um filme.
Até hoje vejo na TV reportagens sobre tropas de elite das polícias militares, debates furiosos protagonizados por pessoas furiosas em defesa disso ou daquilo (ou fascistóide ou imbecilóide), especialistas em drogas, em pobreza, em tudo. Porém, tudo ridículo, de um ridículo que me dá vergonha.
Como nossa cultura é escassa e construída sobre novelas, nossos escritores são rasos (a maioria) ou esquecidos (como o genial Machado de Assis) e nosso cinema se resume às mulheres peladas de ocasião, um bom filme de ação causa efeitos que vão muito além do que um filme pretende: entretenimento.
O filme é um bom filme e o Cap. Nascimento é um bom personagem interpretado por um bom ator, só isso. Nada mais.
O filme não é um retrato da realidade (como adoramos esses retratos, ó classe média) nem representa uma revolução na maneira de ver a polícia, os traficantes, os pobres e os mauricinhos da faculdade particular. O filme é só um filme.
Até hoje vejo na TV reportagens sobre tropas de elite das polícias militares, debates furiosos protagonizados por pessoas furiosas em defesa disso ou daquilo (ou fascistóide ou imbecilóide), especialistas em drogas, em pobreza, em tudo. Porém, tudo ridículo, de um ridículo que me dá vergonha.
Como nossa cultura é escassa e construída sobre novelas, nossos escritores são rasos (a maioria) ou esquecidos (como o genial Machado de Assis) e nosso cinema se resume às mulheres peladas de ocasião, um bom filme de ação causa efeitos que vão muito além do que um filme pretende: entretenimento.
sábado, 17 de novembro de 2007
O guia da ingenuidade - Parte 2
1) Acredite que eleições resolvem tudo.
2) Acredite que o povo é inocente e puro, vítima indefesa da corrupção.
3) Acredite que a classe média é a reserva moral do país.
4) Acredite que nosso digno empresariado está interessado no progresso do país.
5) Acredite que o protocolo de Kyoto prejudica a economia norte-americana.
6) Acredite que o Cap. Nascimento é a solução do país.
7) Acredite que a Copa do Mundo vai mudar o Brasil.
8) Acredite que o orçamento da Copa do Mundo será cumprido e não haverá corrupção.
9) Acredite que tu és o único inocente.
10) Eu não resisto: acredite que a Venezuela é uma democracia e é um absurdo o Coronel-caudilho ser repreendido por um monarca.
2) Acredite que o povo é inocente e puro, vítima indefesa da corrupção.
3) Acredite que a classe média é a reserva moral do país.
4) Acredite que nosso digno empresariado está interessado no progresso do país.
5) Acredite que o protocolo de Kyoto prejudica a economia norte-americana.
6) Acredite que o Cap. Nascimento é a solução do país.
7) Acredite que a Copa do Mundo vai mudar o Brasil.
8) Acredite que o orçamento da Copa do Mundo será cumprido e não haverá corrupção.
9) Acredite que tu és o único inocente.
10) Eu não resisto: acredite que a Venezuela é uma democracia e é um absurdo o Coronel-caudilho ser repreendido por um monarca.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Os hermanos da Calha Norte
Vez por outra leio nos jornais, vindo de Brasília, uma defesa da Venezuela, defesa que afirma peremptoriamente que não se pode criticar os hermanos do norte por sua democracia.
Uma das melhores definições de democracia que já li (Giovanni Sartori, A Teoria da Democracia Revisitada) diz que "ninguém pode dar a si mesmo o direito de governar". Em outras palavras, se alguém governa, governa por livre delegação de outros.
Ora, se um Congresso é composto por 100% dos partidários do Presidente, se a oposição é reprimida, se a liberdade de expressão é vista com desconfiança, se as instituições são ridicularizadas, que me perdoem os companheiros de Brasília: isso não é democracia, é ditadura maquiada. Talvez, isso eu admito, a Venezuela esteja vivendo uma reedição do PRI mexicano, desta feita personalizado num coronel-caudilho sentado em milhões de barris de petróleo.
Uma das melhores definições de democracia que já li (Giovanni Sartori, A Teoria da Democracia Revisitada) diz que "ninguém pode dar a si mesmo o direito de governar". Em outras palavras, se alguém governa, governa por livre delegação de outros.
Ora, se um Congresso é composto por 100% dos partidários do Presidente, se a oposição é reprimida, se a liberdade de expressão é vista com desconfiança, se as instituições são ridicularizadas, que me perdoem os companheiros de Brasília: isso não é democracia, é ditadura maquiada. Talvez, isso eu admito, a Venezuela esteja vivendo uma reedição do PRI mexicano, desta feita personalizado num coronel-caudilho sentado em milhões de barris de petróleo.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
A frase do ano - Parte 2
Ainda nem tinha sentido o devido prazer com a escolha de minha frase do ano, sou surpreendido por outra pérola, esta com ares de bravata e (des)temperada pela retórica tupiniquim: "o Brasil vai entrar para a OPEP".
Sinceramente, não sei se isso é promessa, esperança ou ameaça.
Promessa de dias melhores, esperança de podermos influir nos destinos do mundo (sonho antigo) ou ameaça de participarmos do clube de chantagistas do petróleo.
Sinceramente, não sei se isso é promessa, esperança ou ameaça.
Promessa de dias melhores, esperança de podermos influir nos destinos do mundo (sonho antigo) ou ameaça de participarmos do clube de chantagistas do petróleo.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
A frase do ano
Houve quem muito protestasse contra a singela frase de uma de nossas ministras, aquela já clássica "relaxa e goza". Eu, que frequento rodoviária, ando de ônibus e entorto as costas em nossas estradas, adorei a frase e a escolhi como a melhor do ano. Representa bem o escárnio que merece ser dado ao que se convencionou chamar de crise aérea: é assim mesmo, problema de classe média vira crise nacional e vai para os jornais, problema de pobre fica pro orçamento das próximas eleições.
Isto posto, loas ao "relaxa e goza".
Em tempo: favor não confundir as coisas. Desastre aéreo é uma coisa, "crise aérea" é outra completamente diferente. Deixemos que os mortos descansem em paz.
Isto posto, loas ao "relaxa e goza".
Em tempo: favor não confundir as coisas. Desastre aéreo é uma coisa, "crise aérea" é outra completamente diferente. Deixemos que os mortos descansem em paz.
domingo, 11 de novembro de 2007
O guia da ingenuidade - Parte 1
1) Acredite que o combate ao terrorismo é uma guerra.
2) Acredite que todo insurgente é um terrorista.
3) Acredite que luta-se pela democracia e pela liberdade no Iraque e no Afeganistão.
4) Acredite que nós somos o Bem e o oriente é o Mal.
5) Acredite que a tortura é justificável em casos de extrema urgência.
6) Acredite que toda urgência é urgente.
7) Acredite que os ataques cirúrgicos são cirúrgicos.
8) Acredite na bondade, racionalidade e civilidade inerentes ao ocidente cristão.
9) Acredite que a guerra é uma loucura e uma irracionalidade.
10) Acredite que a irracionalidade é irracional.
2) Acredite que todo insurgente é um terrorista.
3) Acredite que luta-se pela democracia e pela liberdade no Iraque e no Afeganistão.
4) Acredite que nós somos o Bem e o oriente é o Mal.
5) Acredite que a tortura é justificável em casos de extrema urgência.
6) Acredite que toda urgência é urgente.
7) Acredite que os ataques cirúrgicos são cirúrgicos.
8) Acredite na bondade, racionalidade e civilidade inerentes ao ocidente cristão.
9) Acredite que a guerra é uma loucura e uma irracionalidade.
10) Acredite que a irracionalidade é irracional.
Boas vindas
Bem vindos ao Política, História, Sociedade, um espaço para discussão da contemporaneidade.
Assinar:
Postagens (Atom)