sexta-feira, 21 de março de 2008

Diplomacia, Forças Armadas, século XXI

Uma antiga (mas não obsoleta) percepção do trato dos negócios internacionais diz que a diplomacia deve ser reforçada por forças armadas capazes de fazer valer os direitos do Estado. Um Estado tem interesses que precisam ser defendidos e alcançados, seja pela negociação, seja pela ameaça do uso da força.
Uma conseqüência lógica de tal percepção dos negócios internacionais é a corrida armamentista, um jogo de soma zero em que todos os atores ficam mais armados e, ao mesmo tempo, menos seguros.
Nosso tempo traz severos questionamentos ao uso militar como apoio decisivo da diplomacia: a) além dos EUA, há algum país que possua capacidade militar suficiente para fazer valer seus interesses quando a negociação falha (mesmo nas relações entre países ricos e pobres, somente os EUA ignoram as limitações do uso da força impostas pela ONU)? b) no cone Sul, há interesses diplomáticos que requeiram o uso da força (as FARC são um problema, é verdade, no entanto, um um problema de dimensões exageradas e aproveitadas de forma oportunista pelos vizinhos do norte)? c) se nossa política externa privilegia a integração, porque usar as forças armadas como instrumento de dissuasão?

sexta-feira, 7 de março de 2008

A guerra na América do Sul

Nossos vizinhos de continente não são, como se pensa no senso comum, unidos por uma solidariedade derivada da língua comum ou do catolicismo, pelo contrário, há muitos contenciosos latentes. Há problemas de fronteira, reivindicações de acesso ao Pacífico, disputas por territórios ricos em minerais, questionamentos sobre a vulnerabilidade amazônica às drogas, preocução com o impacto continental das FARC, entre outros.
Um comportamento que vem se tornando clássico após o fim da Guerra Fria é o de que o conflito armado deixou de ser travado pelos países ricos e passou a ser exclusivo dos países pobres, abalados pela pobreza, desigualdade, vulnerabilidade e pelos rompantes de seus respectivos caudilhos.
A Colômbia tem um problema grave com as FARC e apoio norte-americano para resolvê-lo, a Venezuela tem uma postura ambígua e desonesta a respeito, o Equador segue a liderança chavista. A combinação não é boa. A Colômbia parece inaugurar a ação preemptiva no continente e a Venezuela responde com bravatas. O risco de guerra é real.
O Brasil pode ser arrastado ao conflito se for comprovada a denúncia de ação e aquartelamento das FARC na amazônia brasileira. No momento, pelo desmanche sofrido pelas instituições armadas brasileiras, nossa diplomacia segue propondo o diálogo (o mundo real diz que a insistência no diálogo pode ser interpretada como sinal de fraqueza).
Vamos esperar o desdobrar dos acontecimentos e a história que daí nascerá.

As prévias norte-americanas

Como algumas pessoas solicitaram, lá vai uma notinha sobre as prévias nos EUA.
No Brasil, a disputa pela indicação de um nome para concorrer às eleições é interna e exclusiva dos partidos: a organização discute, aprova e indica o nome.
Nos Estados Unidos, os nomes se apresentam aos partidos e ao povo. A indicação do candidato não nasce de uma escolha intra-partidária, mas sim pela escolha popular. Os pré-candidatos do partido percorrem o país em busca de votos que os façam vencer a disputa partidária.