quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fim de ano

Aproxima-se mais um dos nossos momentos nacionais de alegre esquecimento. Ao lado do Carnaval, da Páscoa, dos feriados esticados, dos jogos da seleção brasileira (e a Copa do Mundo, de 4 em 4 anos), o fim de ano cria um clima de "deixa pra lá, eu sou feliz" que é difícil de ignorar.
Não se pode condenar ninguém, afinal, o legislativo entra em recesso, o judiciário entra em recesso, as escolas estão de férias, tudo para. Perdão, tudo, à exceção dos comerciários, que trabalham dobrado pra atender à demanda dos felizes consumidores.
Daqui a uns 3 meses começamos a funcionar e pensar de novo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Esaú e Jacó (em tempo)

Ambos podem abrir a "Padaria do Governo".

Esaú e Jacó

Quem leu o livro homônimo de Machado de Assis entenderá.
PT e PSDB são a versão moderna de Esaú e Jacó: gêmeos, porém brigam desde o útero materno.
Vaidade? Ciúme? Competição pelo mesmo amor?
Irmãos que se odeiam...

domingo, 28 de setembro de 2008

Duas coisas básicas

1) O que é obrigatório é a presença do eleitor na seção eleitoral. Ninguém é obrigado a votar no candidato A ou no candidato B. Se ninguém satisfaz nosso grau de exigência, é legítimo e permitido votar nulo, votar 99.
2) Durante a campanha eleitoral o candidato aparece em nossas casas. Depois da campanha, quem tem que aparecer é o cidadão, fiscalizando o trabalho do representante, comparecendo às reuniões na câmara de vereadores e pressionando o prefeito em prol das políticas públicas.

domingo, 14 de setembro de 2008

Surrealismo e/ou realismo fantástico

Com freqüência cada vez maior torna-se difícil escapar, em nosso país, da sensação de que vivemos num quadro de Salvador Dali ou talvez em Macondo.
1) O Presidente da República quer ser técnico da seleção de futebol (se assim não fosse, não daria tantas declarações públicas a respeito). Se não quer, deseja ao menos se fazer mais parecido com a patuléia (lembrando Paulo Francis) para, quem sabe, alavancar votos nas eleições que se aproximam.
2) O Presidente da República defende o uso do fumo em qualquer lugar (Folha de São Paulo, 15/9/2008). Que se dane o câncer de pulmão, ora bolas!
3) Questiona-se o uso de algemas porque figurões aparecem na TV com os braceletes da lei.
4) A campanha eleitoral ultrapassa o inacreditável: já desisti de contabilizar a quantidade de coronéis (bombeiros ou policiais), doutores (a turma que sofre de "doutorite": médicos, fisioterapeutas, dentistas, etc), "gente do bem", "não políticos", jovens que querem renovar, etc. Todos querem "acabar com isso que está aí. Dá nojo, honestamente.
5) As altas cortes do país insistem em deixar os grandes bandidos (os ladrões do dinheiro público, banqueiros de renome) soltos, enquanto as prisões se entopem com ladrões de galinha.

Talvez seja melhor fazer como o Coronel Aureliano Buendía: passar meus dias a fazer e derreter o mesmo peixinho de ouro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A multiplicação das palavras

Lembro-me de uma passagem do Sermão da Montanha em que Jesus diz: os pagãos multiplicam suas palavras, pensando que serão ouvidos por Deus à força de palavras.
Nessa época do ano nós, eleitores, somos tratados como divindades pelos candidatos. O problema é que eles, candidatos, julgam que se farão ouvir pela força da multiplicação das palavras.
Em certa medida há evidência empírica suficiente para comprovar tal julgamento; espero, todavia, que tanto ruído, tanta poluição cognitiva e sonora, sirva para separar o joio do trigo. Quem tem razão não precisa gritar nem massacrar nossos ouvidos com cantigas repetidas à exaustão.
Assim vou separando as pragas das hortaliças.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Foi dada a largada

Apertem os cintos, preparem a pipoca!
Foi dada a largada para o maior espetáculo do ano: as eleições.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Contradições, paradoxos, cinismo, deboche

Hoje pela manhã (21/07) assisti a um telejornal vespertino e escutei uma coisa que quase me fez parir Mr. Hyde para o mundo dos viventes. O apresentador, tentando improvisar torpemente sobre um motorista bêbado que se recusara a fazer o teste do "bafômetro", disse que seria preciso acabar com esse "negócio de uma pessoa não poder produzir prova contra si mesma" e que, desse jeito, as pessoas poderiam se recusar a retirar digitais para identificação civil.
Ouvi isso de manhã, num telejornal de uma grande empresa de comunicação, pela boca de um jornalista com muitos anos de experiência.
É aterrador. Quem seria capaz de cometer uma sentença dessas? Vejamos: a) alguém com patologias cognitivas; b) alguém com deficiências cognitivas causadas por desnutrição ou trauma na infância; c) alguém com uma agenda política muitíssimo perigosa para os pobres e comuns mortais; d) um simples idiota. Pelo bem de nós todos, espero que a alternativa vencedora seja a "d".

Numa outra linha, que dessa vez não me deu dores de parto tão malignas, mas que produziu engulhos veementes, vi que debate-se uma lei de abuso de autoridade, e isso por causa das operações da polícia federal que algemam e colocam em camburões os bandidos de terno e gravata que roubam os pobres e miseráveis.
Pois é... ladrões de galinha e batedores de carteira são presos, algemados, levam safanões, pescoções e sei lá o que mais, além de anos de impiedosa reclusão. Esses não sofrem abuso de autoridade...

Recorramos ao latinório:
o tempora, o mores
dura lex, sed lex.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A falácia da paz

Meus senhores e senhoras, não precisamos de paz, pois não estamos em guerra. Precisamos, isso sim, de ordem pública.

O conceito de ordem pública vigente é o que consta no regulamento para as Polícias Militares e Corpo de Bombeiros Militares: "Ordem Pública: conjunto de regras formais, que emanam do ordenamento jurídico da Nação, tendo por escopo regular as relações sociais de todos os níveis, de interesse público, estabelecendo um clima de convivência harmoniosa e pacífica, fiscalizado pelo Poder de Polícia, e constituindo uma situação ou condição que conduza ao bem comum. "

Se as regras formais flutuam de acordo com a classe social do acusado; se o ordenamento jurídico da nação é orientado para a defesa dos mais ricos; se as relações sociais estão anômicas; se a polícia é incapaz de fiscalizar a convivência harmoniosa e pacífica, ao contrário, contribui para destruir qualquer tentativa de se montar uma convivência assim harmoniosa e pacífica; enfim, se a noção de bem comum se perdeu, precisamos de ordem pública, meus senhores e senhoras, ordem pública.

Precisamos novamente enxergar com nitidez a diferença entre bandido e policial, entre militar e baderneiro, entre lei e ilegalidade. Eu não sei mais, não conheço mais ninguém que saiba essas diferenças.

Mas que as viandeiras não pulem de alegria. Ordem pública se consegue com autoridade democrática e não com autoritarismo (qualquer autoritarismo é sem vergonha).

Repito: o problema nao é a falta de paz, é a falta de ordem pública.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Seria apenas um susto

Acho que estou com algum tipo de paralisia mental. Não sei se entendi bem o que ouvi por esses dias na TV. Alguém talvez possa ajudar.
Sua Senhoria, o tenente do exército que entregou três rapazes a criminosos em um morro do Rio disse que "era só pra dar um susto".

Eis meu raciocínio que, pelo bem de minha sanidade mental, precisa estar errado: um oficial do Exército, representante de uma instituição nacional e permanente, procurou, encontrou, conversou com um bandido e pediu a ele, bandido, que "desse um susto" nos rapazes detidos pela patrulha do Exército.
Um representante de uma instituição que, por solicitação dos poderes constituídos, garante a lei e a ordem, faz um acordo amistoso com um bandido? É isso mesmo?

Um oficial do Exército, frente a frente com um bandido, não lhe dá voz de prisão, mas ao contrário, lhe pede um favor? É isso mesmo?

Uma patrulha do Exército detém três homens e os leva a uma outra "patrulha" que lhes dará uma punição, ou, nos termos da caserna, um "corretivo"?

Nem Panglos conseguiu me tirar desse paradoxo. Alguém se habilita?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Inflação e redução de gastos públicos

Logo pela manhã de hoje (26/06/08) assisti ao primeiro telejornal nacional e lá se comentava a volta da inflação e a necessidade de se cortar gastos públicos, no mínimo como um exemplo saudável a ser oferecido pelo Estado e, posteriormente, imitado pela iniciativa privada.
Não tenho nada contra o corte de gastos públicos, mas, clamar por corte sem especificar onde e como cortar é, no mínimo, irresponsabilidade.
Usemos nossa memória, ou o que resta dela, e relembremos os setores que sofrem com a redução do gasto público: o salário mínimo (pago predominantemente aos aposentados), todos os programas sociais, os salários dos servidores públicos de baixa hierarquia, a cultura e a educação, pra citar alguns.
Ainda não vi os ricos reclamando do corte dos generosos financiamentos do BNDES. Nem a turma do agrobusiness (sic) reclamando do corte de subsídios. Nem mesmo os usineiros reclamam do corte das linhas de crédito de suas usinas falidas.

Assim, se vamos cortar gastos públicos, vamos cortar de quem tem gordura pra queimar. É indecente, imoral, ilegítimo, é uma patifaria punir os pobres para engordar os ricos.

domingo, 22 de junho de 2008

Como se fazia um deputado

Aproximam-se as eleições. Lembro-me da peça de França Júnior, escrita no século XIX, cujo título é "Como se fazia um deputado".
Recomendo a leitura (o texto encontra-se disponível gratuitamente na "Biblioteca Vitual do Estudante Brasileiro", no site da USP).

Que seja nosso lema (sério ou cínico, vai do bom ou mau humor de cada um): "Perca-se tudo senhores, mas salve-se a moralidade pública! Deixem o cidadão livre e independente votar!"

Quem tiver ouvidos que ouça.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A lei

Poucas pessoas seriam contra a existência de algum tipo de lei. Leis são necessárias, afinal, na ausência de freios morais suficientemente fortes para nos impedir de cometer violências contra nosso próximo, algum poder externo e com capacidade coercitiva deve existir (pelo menos enquanto permanecermos como humanos).
Os problemas começam aí, logo após esta singela constatação.
Quem faz a lei e como?
Quem executa a lei e como?
O processo democrático como o conhecemos elege os melhores ou os piores? Resposta óbvia.
Os legisladores que ora nos representam, fazem leis para seu próprio extrato social ou para a maioria de esquecidos que os elegeu? Resposta óbvia.
Os executores da lei, inclusive as forças policiais, reprimem da mesma forma os delitos cometidos por gente pobre e os delitos cometidos por gente rica? Resposta óbvia.
Aqueles que apelam para sentimentos rasteiros, de falsa metafísica cívica, defensores dos valores últimos da lei e da ordem (ou GLO, para usar a sigla mágica), aplicam essa retórica na vida real daqueles que são, em última instância, os depositários do poder? Resposta tristemente óbvia.

Há muito que fazer, muito que mourejar, um imenso mar de desdém a sanear.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Olhando para o passado, tudo faz sentido

Todo o conjunto de eventos aleatórios que faz com que a vida de cada um de nós seja aquilo que ela é, alinha-se segundo um ato de vontade (consciente ou não) para que possamos construir uma linha reta e confortável entre um acontecimento qualquer do passado e nossa vida contemporânea, linha que pavimenta uma explicação racional, aceitável e factível de nossa presente desdita ou felicidade.
É esquecido, porém, precisamente o fato de que a linha reta é fruto de uma escolha. Na História e na vida, nem sempre precisamos passar pelo número dois ao fazermos o trajeto que vai do um ao três.
Crime e castigo (que me perdoe Dostoievski), junto com redenção, estão longe de constituir uma linha do gênero um, dois, três.
Antes do crime há um conjunto radicular de vinhas da ira (que me perdoe Steinbeck) que faz do bandido uma vítima. A curva do rio em que se dá o crime mistura Riobaldo e Diadorim (Seu Rosa, desculpe-me) e nenhuma confissão (Santo Agostinho, valha-me!) abraça a dúvida que se radicaliza (Descartes, compreenda). Nem a cegueira (viva Saramago) redime crime e criminoso. No fim, só há desperdício e humanidade, humanidade demasiado humana (que Nietzsche não leia nem escute).

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Restrição de liberdade

Tenho assistido a alguns programas na TV fechada sobre a vida nas prisões dos EUA. Certamente muita coisa lá está distante da vida de campo de concentração que se observa nas prisões brasileiras: prisioneiros semi-nus e magérrimos, celas super-lotadas, tráfico de drogas escancarado, falta de luz e água, etc.
No entanto, muita coisa também está presente entre prisioneiros limpos, bem alimentados e decentemente vestidos: isolamento, frustração, brutalidade, irremediável descontentamento contra o tipo de mundo que os colocou a ferros e, principalmente, o regresso desses seres humanos à condição de animais.
Não me digam os reacionários, por favor, que os prisioneiros merecem os castigos que lhe são impostos (por fora do sistema) pois, se o caso é executar vingança, é uma bobagem prender alguém, melhor deixar a resolução do caso para a ira e a capacidade de pay back de cada um e, aí, salve-se quem puder.
Não consigo enxergar nenhuma possibilidade de redenção para os prisioneiros... parecem todos condenados ao esquecimento e à barbárie, ao desperdício de suas vidas. Prisões, lá e cá, são como grandes latas de lixo. O problema é que não há um aterro sanitário social onde depositar a escória social. O mau cheiro das penitenciárias nasce nos ascéticos lares da classe média e contamina tudo e todos.
Nada se resolverá nas penitenciárias. O que faremos com essas pessoas? Deixá-las apodrecer não é uma opção.

Tenho firme convicção de que um dia encararemos o encarceramento de seres humanos com o nojo, repulsa e incredulidade com que hoje encaramos o tráfico de escravos, a inquisição, as cruzadas e a peste negra.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ainda bem que isso não acontece em Itaperuna

Suponhamos que ontem, 13/05/2008, um casal tenha comparecido a um famoso estabelecimento comercial que opera na área de saúde em Itaperuna, conduzindo seu filho de quase 3 anos de idade que necessitava de atendimento. Teria sido recomendada a internação da criança, internação essa que teria sido realizada às 11:00h. Até as 15:00h a única ação que teria sido observada foi a tentativa sofrida e atabalhoada de se coletar sangue da criança. Em torno de 16:00h a criança teria tomado uma dose oral de antibiótico, teria tirado radiografias do pulmão e do seio da face e teria feito nebulização. Perdão, uma correção: a máscara de nebulização teria sido deixada com o pai da criança, e o pai teria feito a nebulização na criança, no quarto, sozinho. No decorrer dessas horas o pai da criança teria - supostamente, já que nada disso tem lugar no mundo real, que é perfeito e maravilhoso - imaginado um raciocínio que julgava lógico: porque submeter a criança ao stress de um hospital, e ao abandono de várias horas sem receber a visita de nenhum, repito, nenhum, médico? Afinal, medicação por via oral e nebulização podem ser feitas em casa e fisioterapia pulmonar (o problema, caro leitor, era bronquite. Desculpem o atraso de informá-los do fato gerador da suposta internação) pode ser agendada por telefone. Após o hipotético raciocínio, o pai da criança teria comunicado às enfermeiras que estava de saída do estabelecimento comercial que opera na área de saúde. A enfermeira (ou atendente) teria afirmado que o pai poderia deixar o estabelecimento, desde que assinasse um termo de responsabilidade. O pai, a essa altura já tomado de alguma irritação, teria afirmado que assinaria qualquer termo de responsabilidade já que, às 17:00h ninguém teria assumido responsabilidade alguma pelo atendimento da criança. O pai sabia, outrossim, que esse "termo de responsabilidade" é um mero pedaço de papel que não gera direito nem obrigação, sendo apenas um instrumento para intimidar os incautos e os que se sentem magnetizados pelo jaleco branco usado por nossos pajés contemporâneos. Isto feito, em pouco tempo teria surgido a enfermeira-chefe.
Surpreendente! Quando se faz uma reclamação veemente alguma coisa acontece! A prestativa enfermeira-chefe teria dito que o médico em pouco tempo lá estaria e, após avaliação, poderia, talvez, liberar a criança.
Eis que teria surgido o médico, às 19:10h. Pelas modestas contas do pai da criança, o pajé teria se dignado a comparecer 8 (oito) horas e 10 (dez) minutos depois da internação. O pajé teria examinado a criança por incontáveis 30 (trinta) segundos e dado alta, assim, de chofre, pacificamente, pachorrentamente.
E assim teria terminado esse caso hipotético, que, felizmente, não acontece na linda, bem organizada e co-responsiva Itaperuna.
Em tempo: ainda bem que o caso hipotético acima descrito teria acontecido com uma família que paga plano de saúde particular. Se a família dependesse do SUS talvez ainda estivesse no saguão de espera em busca de uma senha de atendimento.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A dengue expõe tudo...

Só pra não deixar passar: vi na TV por esses dias um cartaz na porta de um hospital que estava em dificuldades para atender os milhares de brasileiros (penso que do nordeste, Alagoas, talvez) acossados pela dengue. O cartaz dizia: "atendimento suspenso temporar-iamente". Desse jeito mesmo, com a exótica separação de sílabas ...
A dengue denuncia tudo...
Onde estão as soluções?
Os idiotas clamam.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Mar de lama: enésima parte

Nossos congressistas devem estar infelizes, afinal, aquela que prometia ser a nova "CPI do fim do mundo" não conseguiu, pelo menos por enquanto, o impacto que pretendia. No mínimo dois motivos podem ser indicados para entender esse baixo impacto da CPI: a) o próprio vazio de seu objeto; b) estamos esmagados pela memória trucidada da menina Isabela e pelo espetáculo de amadorismo e barbárie de nossos meios de comunicação.
Letra a: o objeto da CPI é vazio, nem tanto pela inutilidade de se gastar tempo e recursos na pesquisa de dados que, se bem que imorais, têm pouco ou nenhum impacto na vida real das pessoas comuns, mas principalmente porque, se bem pesquisados, os dados vão levantar imoralidades e descalabros avoengos. Ninguém quer isso. A CPI vai se comportar como um garoto na hora do recreio: vai correr e brincar, mas não muito, pois é muito desconfortável entrar em sala e assistir aula suado.
Letra b: o culpado pelo assassinato será descoberto, cedo ou tarde, logo, não estou tenso a esse respeito. O que me preocupa muitíssimo é a memória de Isabella, que precisa ser respeitada. Já me é insuportável ver e rever as fotos da menina, não aguento mais os julgamentos prévios, cheios de preconceito e inflamados pela fúria da ralé. O que é pior, em pouco tempo surgirá outro escândalo a ser explorado e isso deixará o crime contra Isabella, e sua memória, estirados no limbo, lívidos e sugados, trastes usados à exaustão e descartados por inúteis. Descanse em paz Isabella.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Barbárie: mar de lama

Nem só de escândalos políticos se alimenta nosso bem brasileiro mar de lama.
A menina Isabela, morta recentemente, é esquartejada e triturada todos os dias nas TV's e jornais, em noticiários paupérrimos, imbecis, plenos de julgamentos de valor sem provas, enfim, tudo típico de um tipo de imprensa que cada vez mais se dissemina e se defende com o discurso do "mundo real".
Vamos a algumas coisas que se tornam óbvias: a) os acusados, culpados ou não, já foram condenados pelo noticiário popularóide-imbecilóide-estupidificante; b) o julgamento, quando houver, não será imparcial; c) nossos jornalistas precisam estudar mais; d) a audiência, verbas de patrocínio e de anunciantes, nada disso vale a brutalização de uma morte já estúpida; e) o único sentido de se exibir ad nausea a foto da criança é criar emoções primitivas num público que se alimenta disso: quero crer que podemos ser melhores do que isso; f) deixemos a criança descansar em paz nos braços de Deus.
O mar de lama está de ressaca.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Malhar em ferro frio: a barbárie

Honestamente, não me interessa de quem é a culpa pela epidemia de dengue. Nem sei se alguém tem culpa.
O que me interessa, todavia, é o festival de incompetência, irresponsabilidade e cinismo que se verifica sobre as desgraças alheias. Pessoas morrem, estão morrendo e o debate político se prende à imputação de culpa sobre os governantes de plantão. Se estamos às voltas com uma doença do século XIX, que se chame Osvaldo Cruz, quem sabe ele resolve.
A turma que está aí só tem feito piorar as coisas, e isso de uns 15 anos pra cá.
Enquanto isso, assistimos à brutalização da miséria alheia pelos meios de comunicação. Penso quanto mais será necessário para que nos intoxiquemos com a banalização e comercialização da morte.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Diplomacia, Forças Armadas, século XXI

Uma antiga (mas não obsoleta) percepção do trato dos negócios internacionais diz que a diplomacia deve ser reforçada por forças armadas capazes de fazer valer os direitos do Estado. Um Estado tem interesses que precisam ser defendidos e alcançados, seja pela negociação, seja pela ameaça do uso da força.
Uma conseqüência lógica de tal percepção dos negócios internacionais é a corrida armamentista, um jogo de soma zero em que todos os atores ficam mais armados e, ao mesmo tempo, menos seguros.
Nosso tempo traz severos questionamentos ao uso militar como apoio decisivo da diplomacia: a) além dos EUA, há algum país que possua capacidade militar suficiente para fazer valer seus interesses quando a negociação falha (mesmo nas relações entre países ricos e pobres, somente os EUA ignoram as limitações do uso da força impostas pela ONU)? b) no cone Sul, há interesses diplomáticos que requeiram o uso da força (as FARC são um problema, é verdade, no entanto, um um problema de dimensões exageradas e aproveitadas de forma oportunista pelos vizinhos do norte)? c) se nossa política externa privilegia a integração, porque usar as forças armadas como instrumento de dissuasão?

sexta-feira, 7 de março de 2008

A guerra na América do Sul

Nossos vizinhos de continente não são, como se pensa no senso comum, unidos por uma solidariedade derivada da língua comum ou do catolicismo, pelo contrário, há muitos contenciosos latentes. Há problemas de fronteira, reivindicações de acesso ao Pacífico, disputas por territórios ricos em minerais, questionamentos sobre a vulnerabilidade amazônica às drogas, preocução com o impacto continental das FARC, entre outros.
Um comportamento que vem se tornando clássico após o fim da Guerra Fria é o de que o conflito armado deixou de ser travado pelos países ricos e passou a ser exclusivo dos países pobres, abalados pela pobreza, desigualdade, vulnerabilidade e pelos rompantes de seus respectivos caudilhos.
A Colômbia tem um problema grave com as FARC e apoio norte-americano para resolvê-lo, a Venezuela tem uma postura ambígua e desonesta a respeito, o Equador segue a liderança chavista. A combinação não é boa. A Colômbia parece inaugurar a ação preemptiva no continente e a Venezuela responde com bravatas. O risco de guerra é real.
O Brasil pode ser arrastado ao conflito se for comprovada a denúncia de ação e aquartelamento das FARC na amazônia brasileira. No momento, pelo desmanche sofrido pelas instituições armadas brasileiras, nossa diplomacia segue propondo o diálogo (o mundo real diz que a insistência no diálogo pode ser interpretada como sinal de fraqueza).
Vamos esperar o desdobrar dos acontecimentos e a história que daí nascerá.

As prévias norte-americanas

Como algumas pessoas solicitaram, lá vai uma notinha sobre as prévias nos EUA.
No Brasil, a disputa pela indicação de um nome para concorrer às eleições é interna e exclusiva dos partidos: a organização discute, aprova e indica o nome.
Nos Estados Unidos, os nomes se apresentam aos partidos e ao povo. A indicação do candidato não nasce de uma escolha intra-partidária, mas sim pela escolha popular. Os pré-candidatos do partido percorrem o país em busca de votos que os façam vencer a disputa partidária.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Fidel: já vai tarde e, ao mesmo tempo, deixa saudade

Falo de Fidel só agora propositadamente, na esperança de deixar algum tempo passar e perceber se alguma coisa nova se apresenta.
Pensava em alguma transição em Cuba. Como toda transição, pensava em incerteza e temor de que um regime fechado pudesse se transformar num regime mais fechado ainda. Até agora nada.
Esse nada pode ser uma primeira etapa de um processo de mudança, mas pode significar algo mais triste: simplesmente conformismo da população local com o estado de coisas vigente. Nada importaria, tudo permaneceria o mesmo.
Uma segunda opção pode ser considerada, a de que a simples ausência física de Fidel inicie uma mudança, mesmo que de longa duração, e aí estaríamos apenas no começo de tal mudança e seus efeitos não se fariam perceber no curso de vida desta geração.
De uma forma ou de outra, Fidel já vai tarde. Uma revolução brilhante desmoronou numa ditadura canalha e mentirosa.
Paradoxalmente, Fidel também deixa saudade de um tempo em que havia um paradigma a competir com o capitalismo e alguém com coragem para dizer "não" aos Estados Unidos.
A vida prossegue, vamos ver como o mundo se adapta ao vazio deixado por Fidel.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Globalização, China, Rússia

Se bem é verdade que não se pode falar em globalização sem incluir os Estados Unidos, igualmente não se pode ignorar os dois gigantes da Eurásia, Rússia e China.
Ambos países estão aferrados a dois elementos: à soberania westphaliana com seu correlato de realismo político, por um lado, e às benesses de mercados abertos a seus produtos, por outro lado.
Esse par é antinômico por excelência. Não se pode celebrar a excelência do progresso chinês nas olimpíadas e esquecer, em nome do esporte, os gravíssimos problemas que envolvem o regime chinês: repressão política severa, bloqueio ao indivíduo, cinismo comercial, violação aos direitos humanos, entre tantos outros.
Na Rússia temos a mão pesada para resolver problemas na Chechênia, o oportunismo da guerra contra o terrorismo, a repressão política, as ameaças nucleares à Ucrânia, etc e etc.
A globalização trava nesses países. Sabemos que a globalização não é boa pra todo mundo, mas também sabemos que é um movimento mundial até o momento irresistível.
Ou melhor, pode se resistir à globalização, mas com os métodos russos e chineses. Isso não é bom.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Memória e escândalos

A memória mantém o passado vivo, passado que é parte de nossas vidas assim como o ar que respiramos. Sociedade sem memória é como um corpo asfixiado.
Alguns dizem (com uma certa dose de razão) que escândalos no Brasil duram pouco tempo na memória porque logo são substituídos por um escândalo novo e mais bombástico, além de sempre recebermos nossa dose diária de alienação: as novelas, os neo-bobos do BBB, o futebol de quarta e domingo, os cuidados do dia-a-dia, o vício em dinheiro, o soft-porn, o hard-porn, a vida das celebridades e por aí vai.
Admirável mundo novo ou, como está na música, brave new world.
...
Esse é nosso recibo de idiotia.
...
Pra quem quer se alimentar de novo escândalo, veja o blog do Josias de Souza: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/index.html. Lá há descrição interessante dos gastos da cozinha da Presidência da República.
Vamos ver se as excêntricidades gastronômicas do Palácio serão esquecidas como a morte de Jango e PC Farias, o massacre do Carandiru, o caixa 2 das campanhas eleitorais e tantos outros... é só escolher.
...
É duro botar o nariz acima do mar coprológico.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Memória e ação

Há quem diga que pode ser um problema de regimes de coalizão, exigente de acordos com facções unidas por interesses fisiológicos. Outros dizem que é problema da democracia, exigente de discussão e debate livre, o que atrasaria todas as decisões e tornaria o regime naturalmente moroso, lento e frustrante. Aí poderia ser entendida a demora, os longos prazos e trâmites a que são submetidos assuntos polêmicos de nossa memória: demora-se tanto na expectativa (geralmente correta) de que as coisas sejam esquecidas e arquivadas. O caso mais recente é a investigação (que ainda não começou) sobre a morte de Jango.
Eu, por outro lado, penso que é um problema de hesitação, falta de decisão política e medo. Há uma recusa sistemática de escamotear nossa memória. Em nome de não-sei-o-quê do futuro nosso passado é falsificado, vilipendiado e ridicularizado.
Quem somos nós, brasileiros, e o que somos capazes de fazer ou tolerar (para o bem e para o mal)?
Não sabemos, não sabemos.
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Em tempo: batedores de carteira e ladrões de galinha vão para os abomináveis programas de TV-mundo-cão: lá são achincalhados ad nausea. Ladrões do dinheiro público (que seria usado para diminuir filas do INSS, pagar aposentadorias decentes, salvar vidas etc e etc) apresentam habeas corpus preventivo e são tratados com respeito em horário nobre.
Há algo de podre no reino da Dinamarca...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Memória, memória, memória

Mais uma vez a Folha de São Paulo (27/01) apresenta reportagens sobre nosso passado autoritário, desta feita com a entrevista de um ex-agente uruguaio que diz ter sido morto o ex-presidente João Goulart por envenenamento e com autorização do governo brasileiro de então (ordem do ex-presidente Geisel, retransmitida pelo ex-delegado Fleury).
Não sabemos se tal declaração é verdadeira ou falsa, condizente com os fatos ou exagerada, realista ou exagerada. Não sabemos nada... esse é o grande problema.
...
Não se pode fazer de conta que o passado não ocorreu, porque ele simplesmente vem bater à nossa porta. É muito constrangedor ler essas notícias e não verificar nenhuma ação oficial de resgate da memória e de mergulho nos documentos do passado.
...
As coisas acontecem e nada é feito. As declarações são feitas e ninguém responde, ninguém investiga. E o futuro de tabula rasa continua impávido.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Poliarquia, memória, futuro

Uma das exigências de uma poliarquia é o livre acesso às informações (no modelo de Dahl, a preocupação é com o momento eleitoral, mas aqui refiro-me ao dia-a-dia), pois sem informações nosso grau de racionalidade cai e, conseqüentemente, nossas decisões pioram de qualidade.
...
Viver a memória não é o que se costuma dizer sordidamente: "quem vive de passado é museu". Viver a memória é permitir que o passado continue vivo, é evitar o que Hannah Arendt chama de dupla morte: a morte física em si e o insulto do esquecimento (que faz com que aqueles que viveram repentinamente deixem de ter existido, vivido, sofrido e realizado sonhos nesta vida).
...
O futuro é o devir, o imprevisível, o novo.
...
É comum ouvirmos e percebermos em nosso país que, em nome da poliarquia, devemos esquecer deliberadamente do passado em nome de um futuro novo, evitar a memória para evitar ressentimentos e revanches.
Quem propõe essa ação sabe muito bem que o resultado não é um futuro novo e limpo, mas uma tabula rasa de idiotas prontos a aceitar qualquer coisa em troca de um prato de lentilhas.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Sempre exercitando a memória

Depois da overdose de patriotismo dos Jogos PanAmericanos, restam-nos as cinzas do esquecimento.
Não se sabe ao certo quanto foi gasto nas obras, não se explica porque as instalações estão hoje vazias, numa reprise do mico de Atenas (bem já se disse que a História se repete uma vez como farsa, outra como tragédia...), nem se sabe porque R$36.000,00 mensais são suficientes para pagar o aluguel do Engenhão (Vide Folha de São Paulo de hoje, 20/01).
É preciso sempre exercitar a memória.
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O liberalismo econômico... o bom e velho liberalismo econômico. Quando tudo está bem o Estado é o pior dos males, deseja-se o fim da intervenção estatal na economia, fim dos programas sociais e liberdade absoluta de iniciativa. Quando tudo está mal, que o Estado venha em socorro, com o dinheiro dos pobres que nunca chegarão perto do maná do mercado, é claro... (Vide igualmente Folha de São Paulo de hoje, 20/01). Dinheiro público para ajudar os ricos é modernidade, dinheiro público para ajudar os pobres é atraso e populismo.
Esse cinismo é insuportável.
É preciso sempre exercitar a memória.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Memória: o Condor é mais uma necessidade, entre outras

A memória é tão rica e diversa quanto o são os seres humanos. Isso, porém, não quer dizer que ela possa ser falsificada. Em nosso país temos um longo trabalho pela frente: trabalho de produzir memória honesta e diversa, denunciar a memória oficial e ideológica, recusar a Verdade (essa coisa absoluta, inquestionável e INEXISTENTE).
Porque se estudam as revoltas do período regencial? São revoltas ou revoluções? Revolta é coisa de gente aventureira e insana, revolução é coisa do povo em favor da liberdade. Porque o Brasil não tem revoluções?
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1930 é conhecido como a "Revolução de 30". Afinal, é revolução ou guerra civil? Forças legalistas e forças insurgentes em conflito configuram guerra civil. Onde está a Guerra Civil de 1930?
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Canudos foi uma ameaça à República? Canudos foi um exemplo de milenarismo? Canudos foi mais um caso do desencanto das populações pobres do Brasil? Canudos certamente foi um massacre e uma desonra para todos os envolvidos.
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1964 foi revolução? Não houve povo, não houve mudança sócio-política, não houve mudança da estrutura econômica, foi um ato executado por membros do próprio stablishment... Isso não é revolução, é golpe de Estado.
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Porque o Carandiru foi demolido? Simplesmente foi destruída a memória do massacre de 111 presidiários. Criminosos? Sim, por isso estavam presos. Mereciam seu destino? Francamente... isso é nazismo.
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Gostamos muito de pensar no futuro, e isso é um estelionato cultural e social incentivado pelas nossas piores elites. Talvez por isso não tenhamos memória e não saibamos quem somos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Condor e Memória

Convido a todos que leiam o artigo (que me foi sugerido pelo Márcio) do Coronel Jarbas Passarinho, disponível em http://www.ternuma.com.br/jpassarinho080.htm.
Há pouquíssima distância entre os eventos de 1964-1985, é fato. Talvez por isso o debate sobre o tema ainda esteja muito carregado ideologicamente. Não há evidências históricas de que tenha ocorrido guerra revolucionária no Brasil, ao contrário do que diz o autor acima (temos que esperar pelo resultado das pesquisas feitas nos arquivos da ditadura até agora disponibilizados).
Por outro lado, não acho razoável crer que o regime cubano seja melhor que o nosso.
O problema realmente sensível, salvo melhor juízo, não é saber da insurreição ou contra-insurreição, vitimizar ou glorificar os mortos (de um lado ou de outro): o principal é exercer o direito à memória e defender a liberdade do presente de interpretar o passado. Não há memória única... isso não existe em nenhuma instância da percepção humana.
Uma discussão como a que parece iniciar-se, carregada de adjetivação e má vontade, apenas pretende sufocar o direito do outro se expressar.
Investiguemos, resgatemos nossa memória.
Nós somos aquilo de que nos lembramos, na plenitude de nossa diversidade.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Mais do Condor e de nossa memória

Mais revelações e resultado de pesquisas surgem sobre a colaboração entre os regimes autoritários do Cone Sul.
Recomendo a edição de hoje (13/12) da Folha de São Paulo para indicações preciosas de pesquisa.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Problemas delicados

Há uma bibliografia importante que explica as transições de regimes autoritários para a democracia na América do Sul, com O'Donnel e Schmitter encabeçando-a. Tal literatura oferece boa interpretação do porquê diferentes regimes originaram diferentes transições e diferentes formas de tratar com o passado autoritário. Os grandes modelos são Brasil, Argentina e Chile.
No nosso caso, temos como resultados a Lei de Anistia e a recusa firme de se fazer pesquisas que denunciem o passado da repressão e da tortura.
Penso que isso é um erro e uma desonestidade com as gerações futuras. Recusar a memória equivale a negar a existência do passado, e o passado de repressão e tortura existiu.
É muito desagradável, para não dizer vergonhoso, sermos surpreendidos por revelações vindas de fora, como o pedido de prisão de brasileiros feito pela justiça italiana e as denúncias de bases operativas argentinas no Brasil (durante a Operação Condor), com conhecimento de nossas autoridades.
Se não se quer julgar e condenar os responsáveis pelo regime autoritário, vá lá... respeite-se a Lei de Anistia. Mas pelo menos uma série de audiências de reconciliação (como houve na África do Sul) deve ser levada em conta: reune-se uma assembléia popular, os responsáveis confessam em detalhes o que fizeram e pedem perdão, que é dado imediatamente.
Perdoar é preciso, mas lembrar também.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ano Novo

Números do feriado de Ano Novo dão conta de 99 mortes por acidentes. Um "sucesso", com quase cem mortes a menos do que o feriado de Natal. Como se uma vida pudesse ser reposta...
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As enchentes ainda não vieram. Será o aquecimento global?
Enquanto isso, as pessoas continuam a se fritar e assar nas praias num filé à milaneza humano: protetor solar pra dar liga, areia e sal pra empanar, o sol pra fazer o resto do serviço.
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Um alívio: acabaram-se as insuportáveis retrospectivas e as previsões de infalíveis videntes. Agora só falta suportarmos a overdose carnavalesca para podermos começar o ano.