terça-feira, 20 de novembro de 2007

Tropa de Elite: nossas carências e nossos recalques

Tenho esperado passar o furor causado pelo filme "Tropa de Elite", mas como o furor não passa, falo de uma vez.
O filme é um bom filme e o Cap. Nascimento é um bom personagem interpretado por um bom ator, só isso. Nada mais.
O filme não é um retrato da realidade (como adoramos esses retratos, ó classe média) nem representa uma revolução na maneira de ver a polícia, os traficantes, os pobres e os mauricinhos da faculdade particular. O filme é só um filme.
Até hoje vejo na TV reportagens sobre tropas de elite das polícias militares, debates furiosos protagonizados por pessoas furiosas em defesa disso ou daquilo (ou fascistóide ou imbecilóide), especialistas em drogas, em pobreza, em tudo. Porém, tudo ridículo, de um ridículo que me dá vergonha.
Como nossa cultura é escassa e construída sobre novelas, nossos escritores são rasos (a maioria) ou esquecidos (como o genial Machado de Assis) e nosso cinema se resume às mulheres peladas de ocasião, um bom filme de ação causa efeitos que vão muito além do que um filme pretende: entretenimento.