Sou contra CPI's: não investigam nada com frieza e método; servem unicamente como palanque, palco e picadeiro; promovem o escândalo desnecessário; seus membros acusam sem provas; a rigor, não produzem provas; como ponto a favor apenas posso apontar o hilário das sessões: são muito divertidas, as falas são exóticas e descabeladas, fala-se de Deus, do diabo, da moral e dos bons costumes com uma convicção tão grande que quase acreditamos na sinceridade do discurso; há lágrimas e risos, um dramalhão inigualável.
Os momentos em que se vota a cassação de um mandato igualmente são banais. Se o acusado está em desgraça no Congresso, será condenado, mesmo que inocente. Se o acusado for poderoso ou estiver de bem com o Congresso, será absolvido, mesmo que réu confesso. Pergunto-me: qual a finalidade de se reservar um dia no Plenário para votar algo já conhecido de véspera? É mais fácil fazer tudo por ato administrativo.
Em suma: julgamentos corporativos são algo próximo da farsa. Médicos raramente são condenados no CRM ou engenheiros no CREA. Congressistas raramente são condenados por seus pares. Quem julga não pode ter relações, quaisquer que sejam, com aquele que está sendo julgado; o fórum de julgamento deve ser heterogêneo à casa do julgado.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
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2 comentários:
Há, também, uma grande justificativa para abrir, manter e estender uma CP(M)I: o circo armado pela imprensa. Quer algo visível para senadores e deputados, principalmente os "esquecidos", para que ganhem alguma notoriedade? Alguém já havia ouvido o nome de Osmar Serraglio (para citar apenas um nome) antes da CPI dos Correios ? E reconheçamos: a mídia (com a notícia que se tornou um misto de cobertura dos fatos com entretenimento e espetáculo) adora cobrir CPI's. Estão lá todos os ingredientes de um circo - os palhaços na dianteira do picadeiro.
Em tempo: vi por esses dias uma manifestação de palhaços muito ofendidos com o uso indevido do nariz vermelho.
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