terça-feira, 22 de abril de 2008

Mar de lama: enésima parte

Nossos congressistas devem estar infelizes, afinal, aquela que prometia ser a nova "CPI do fim do mundo" não conseguiu, pelo menos por enquanto, o impacto que pretendia. No mínimo dois motivos podem ser indicados para entender esse baixo impacto da CPI: a) o próprio vazio de seu objeto; b) estamos esmagados pela memória trucidada da menina Isabela e pelo espetáculo de amadorismo e barbárie de nossos meios de comunicação.
Letra a: o objeto da CPI é vazio, nem tanto pela inutilidade de se gastar tempo e recursos na pesquisa de dados que, se bem que imorais, têm pouco ou nenhum impacto na vida real das pessoas comuns, mas principalmente porque, se bem pesquisados, os dados vão levantar imoralidades e descalabros avoengos. Ninguém quer isso. A CPI vai se comportar como um garoto na hora do recreio: vai correr e brincar, mas não muito, pois é muito desconfortável entrar em sala e assistir aula suado.
Letra b: o culpado pelo assassinato será descoberto, cedo ou tarde, logo, não estou tenso a esse respeito. O que me preocupa muitíssimo é a memória de Isabella, que precisa ser respeitada. Já me é insuportável ver e rever as fotos da menina, não aguento mais os julgamentos prévios, cheios de preconceito e inflamados pela fúria da ralé. O que é pior, em pouco tempo surgirá outro escândalo a ser explorado e isso deixará o crime contra Isabella, e sua memória, estirados no limbo, lívidos e sugados, trastes usados à exaustão e descartados por inúteis. Descanse em paz Isabella.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.

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