sexta-feira, 18 de abril de 2008

Barbárie: mar de lama

Nem só de escândalos políticos se alimenta nosso bem brasileiro mar de lama.
A menina Isabela, morta recentemente, é esquartejada e triturada todos os dias nas TV's e jornais, em noticiários paupérrimos, imbecis, plenos de julgamentos de valor sem provas, enfim, tudo típico de um tipo de imprensa que cada vez mais se dissemina e se defende com o discurso do "mundo real".
Vamos a algumas coisas que se tornam óbvias: a) os acusados, culpados ou não, já foram condenados pelo noticiário popularóide-imbecilóide-estupidificante; b) o julgamento, quando houver, não será imparcial; c) nossos jornalistas precisam estudar mais; d) a audiência, verbas de patrocínio e de anunciantes, nada disso vale a brutalização de uma morte já estúpida; e) o único sentido de se exibir ad nausea a foto da criança é criar emoções primitivas num público que se alimenta disso: quero crer que podemos ser melhores do que isso; f) deixemos a criança descansar em paz nos braços de Deus.
O mar de lama está de ressaca.
Idiotas abundam, soluções escasseiam.

2 comentários:

Anônimo disse...

Não causa espanto a alguém mais atento a constatação de que o nível de preparo e julgamento na imprensa brasileira é pueril. Os reportéres de campo quando se vêm diante de algo inusitado ou fora da pauta ficam tartamudos. Mesmo aqueles que se "especializam" em determinado setor emitem juízos inadmissíveis. E quer saber em que área eles abundam: a imprensa esportiva. A maior concentração de leigos e despreparados que se possa reunir em um espaço! Onde estão os editores e revisores complacentes com tanta imbecilidade?

Frederico C. Costa disse...

Os editores, ao que parece, não são melhores que seus sabujos de rua.
O pior é que há público pra isso. Há muitos elefantes que se banham no mar de lama.