quarta-feira, 18 de junho de 2008

A lei

Poucas pessoas seriam contra a existência de algum tipo de lei. Leis são necessárias, afinal, na ausência de freios morais suficientemente fortes para nos impedir de cometer violências contra nosso próximo, algum poder externo e com capacidade coercitiva deve existir (pelo menos enquanto permanecermos como humanos).
Os problemas começam aí, logo após esta singela constatação.
Quem faz a lei e como?
Quem executa a lei e como?
O processo democrático como o conhecemos elege os melhores ou os piores? Resposta óbvia.
Os legisladores que ora nos representam, fazem leis para seu próprio extrato social ou para a maioria de esquecidos que os elegeu? Resposta óbvia.
Os executores da lei, inclusive as forças policiais, reprimem da mesma forma os delitos cometidos por gente pobre e os delitos cometidos por gente rica? Resposta óbvia.
Aqueles que apelam para sentimentos rasteiros, de falsa metafísica cívica, defensores dos valores últimos da lei e da ordem (ou GLO, para usar a sigla mágica), aplicam essa retórica na vida real daqueles que são, em última instância, os depositários do poder? Resposta tristemente óbvia.

Há muito que fazer, muito que mourejar, um imenso mar de desdém a sanear.

Um comentário:

Igor José disse...

As leis são necessárias para o bom andamento da vida em sociedade, porém entendo que as leis na verdade aprisionam o homem, pois ser livre é não depender de regras para ser obrigado a fazer a coisa certa, mas fazer a coisa certa pelo instinto reto e íntegro que deveria envolver a nossa humanidade.
Mas como isso é impossível, devido o grau de maldade no qual a raça humana atingiu, percebo que as leis só servem para garantir aos poderosos que jamais sejam atacados em seus reinos majestosos, pela escória da sociedade que governam: o povo!