terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Fidel: já vai tarde e, ao mesmo tempo, deixa saudade

Falo de Fidel só agora propositadamente, na esperança de deixar algum tempo passar e perceber se alguma coisa nova se apresenta.
Pensava em alguma transição em Cuba. Como toda transição, pensava em incerteza e temor de que um regime fechado pudesse se transformar num regime mais fechado ainda. Até agora nada.
Esse nada pode ser uma primeira etapa de um processo de mudança, mas pode significar algo mais triste: simplesmente conformismo da população local com o estado de coisas vigente. Nada importaria, tudo permaneceria o mesmo.
Uma segunda opção pode ser considerada, a de que a simples ausência física de Fidel inicie uma mudança, mesmo que de longa duração, e aí estaríamos apenas no começo de tal mudança e seus efeitos não se fariam perceber no curso de vida desta geração.
De uma forma ou de outra, Fidel já vai tarde. Uma revolução brilhante desmoronou numa ditadura canalha e mentirosa.
Paradoxalmente, Fidel também deixa saudade de um tempo em que havia um paradigma a competir com o capitalismo e alguém com coragem para dizer "não" aos Estados Unidos.
A vida prossegue, vamos ver como o mundo se adapta ao vazio deixado por Fidel.

4 comentários:

André Lázaro disse...

Um regime mantido a portas fechadas devido ao bloqueio insentivado pelos EUA, algum dia iria tender a queda. Mas paremos para pensar: será que Fidel se afaste completamente de governo cubano após anos de sua ditadura? Será que Raul vai acompanhar a "barba" de Fidel Castro?

Anônimo disse...

Frederico,você considera que o afastamento de Fidel no momento em que os EUA estão em eleições pode sugerir mudanças na relação entre os dois países?

Aliás, você deveria escrever um texto sobre esse raio de eleição americano, que até agora ninguém entendeu muito bem como que funciona este sistema de prévias.

marcioike disse...

Um post sobre a atual conjuntura da América Latina, específicamente Equador, Colômbia e Venezuela e sobre o que diz o plano de defesa brasileiro num caso de conflito nessa região cairia bem.

Frederico C. Costa disse...

Nesses primeiros estágios, o máximo que se pode dizer é que Cuba está em transição de um regime autoritário para algum outro tipo de regime (que pode ser melhor, pior ou igual ao anterior).
Não é provável que vejamos grandes mudanças a curto prazo, no mínimo porque o Comandante está vivo, participativo e tem sua base de apoio popular.
Ademais, a preocupação norte-americana é com o terrorismo, a Europa e o Oriente Médio, o que deixa a América Latina no último lugar das preocupações da Casa Branca: a guerra fria acabou, não só a URSS perdem, mas a América Latina também.