Há quem diga que pode ser um problema de regimes de coalizão, exigente de acordos com facções unidas por interesses fisiológicos. Outros dizem que é problema da democracia, exigente de discussão e debate livre, o que atrasaria todas as decisões e tornaria o regime naturalmente moroso, lento e frustrante. Aí poderia ser entendida a demora, os longos prazos e trâmites a que são submetidos assuntos polêmicos de nossa memória: demora-se tanto na expectativa (geralmente correta) de que as coisas sejam esquecidas e arquivadas. O caso mais recente é a investigação (que ainda não começou) sobre a morte de Jango.
Eu, por outro lado, penso que é um problema de hesitação, falta de decisão política e medo. Há uma recusa sistemática de escamotear nossa memória. Em nome de não-sei-o-quê do futuro nosso passado é falsificado, vilipendiado e ridicularizado.
Quem somos nós, brasileiros, e o que somos capazes de fazer ou tolerar (para o bem e para o mal)?
Não sabemos, não sabemos.
...
Em tempo: batedores de carteira e ladrões de galinha vão para os abomináveis programas de TV-mundo-cão: lá são achincalhados ad nausea. Ladrões do dinheiro público (que seria usado para diminuir filas do INSS, pagar aposentadorias decentes, salvar vidas etc e etc) apresentam habeas corpus preventivo e são tratados com respeito em horário nobre.
Há algo de podre no reino da Dinamarca...
sábado, 2 de fevereiro de 2008
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