sábado, 26 de janeiro de 2008

Poliarquia, memória, futuro

Uma das exigências de uma poliarquia é o livre acesso às informações (no modelo de Dahl, a preocupação é com o momento eleitoral, mas aqui refiro-me ao dia-a-dia), pois sem informações nosso grau de racionalidade cai e, conseqüentemente, nossas decisões pioram de qualidade.
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Viver a memória não é o que se costuma dizer sordidamente: "quem vive de passado é museu". Viver a memória é permitir que o passado continue vivo, é evitar o que Hannah Arendt chama de dupla morte: a morte física em si e o insulto do esquecimento (que faz com que aqueles que viveram repentinamente deixem de ter existido, vivido, sofrido e realizado sonhos nesta vida).
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O futuro é o devir, o imprevisível, o novo.
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É comum ouvirmos e percebermos em nosso país que, em nome da poliarquia, devemos esquecer deliberadamente do passado em nome de um futuro novo, evitar a memória para evitar ressentimentos e revanches.
Quem propõe essa ação sabe muito bem que o resultado não é um futuro novo e limpo, mas uma tabula rasa de idiotas prontos a aceitar qualquer coisa em troca de um prato de lentilhas.

2 comentários:

marcioike disse...

Professor acho q não somente o esquecimento mas a distorção das informações no presente e do passado como na "Revolução dos Bichos" é um adicional a um povo ignorante e sem sentido crítico. Quando fiz história das idéias políticas li um artigo na internet sobre teoria da mentira. Consegui achar o link para quem quiser dar uma conferida. http://www.defesanet.com.br/esge/teoria_mentira.pdf

Frederico C. Costa disse...

Mentira, tanto quanto verdade, é algo difícil de se tratar em termos de teoria.
Achei o artigo do gênero "teoria da conspiração".