Há uma bibliografia importante que explica as transições de regimes autoritários para a democracia na América do Sul, com O'Donnel e Schmitter encabeçando-a. Tal literatura oferece boa interpretação do porquê diferentes regimes originaram diferentes transições e diferentes formas de tratar com o passado autoritário. Os grandes modelos são Brasil, Argentina e Chile.
No nosso caso, temos como resultados a Lei de Anistia e a recusa firme de se fazer pesquisas que denunciem o passado da repressão e da tortura.
Penso que isso é um erro e uma desonestidade com as gerações futuras. Recusar a memória equivale a negar a existência do passado, e o passado de repressão e tortura existiu.
É muito desagradável, para não dizer vergonhoso, sermos surpreendidos por revelações vindas de fora, como o pedido de prisão de brasileiros feito pela justiça italiana e as denúncias de bases operativas argentinas no Brasil (durante a Operação Condor), com conhecimento de nossas autoridades.
Se não se quer julgar e condenar os responsáveis pelo regime autoritário, vá lá... respeite-se a Lei de Anistia. Mas pelo menos uma série de audiências de reconciliação (como houve na África do Sul) deve ser levada em conta: reune-se uma assembléia popular, os responsáveis confessam em detalhes o que fizeram e pedem perdão, que é dado imediatamente.
Perdoar é preciso, mas lembrar também.
domingo, 6 de janeiro de 2008
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